Dra. Juliana Reis: a escuta ativa que muda o resultado da cirurgia

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Você já saiu de uma consulta com a sensação de não ter sido ouvida? De ter recebido uma resposta rápida, um orçamento e uma data de cirurgia, sem que ninguém realmente entendesse o que você sente no seu corpo todos os dias? Se você convive com dor e peso nas pernas que nenhuma dieta resolve, ou busca melhorar o contorno do seu corpo, mas tem receio de promessas estéticas que não condizem com a realidade, este texto é para você. Sou eu, Dra. Juliana Reis (https://drajulianareis.com.br), e a primeira coisa que faço no meu consultório é ouvir ativamente a sua história antes de pensar em qualquer procedimento.

Ao longo dos anos, percebi que a maior parte das frustrações das pacientes não vem apenas do resultado cirúrgico em si, mas da falta de escuta que antecede a decisão. Por isso, quero explicar, de forma transparente, como funciona a abordagem integral que aplico como cirurgiã plástica, unindo excelência técnica ao cuidado real com a sua saúde global.

O que é escuta ativa em uma consulta de cirurgia plástica?

Escuta ativa é muito mais do que deixar a paciente falar. Significa prestar atenção genuína à queixa, às expectativas, à história de vida e, principalmente, ao que muitas vezes não é dito de forma direta. Quando uma paciente chega ao consultório dizendo que quer uma lipoaspiração, minha função não é apenas anotar a região e marcar a cirurgia. Minha função é entender o que a incomoda, há quanto tempo, o que ela já tentou, quais são seus hábitos e o que ela realmente espera enxergar no espelho depois.

Formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), com residência em Cirurgia Geral e Cirurgia Plástica pelo Hospital das Clínicas, aprendi cedo que o resultado de uma cirurgia plástica não depende apenas do centro cirúrgico. Ele começa muito antes, na conversa. É na escuta atenta que identifico se a expectativa da paciente é realista, se existe uma condição de saúde não diagnosticada por trás da queixa estética e se aquele procedimento é, de fato, o melhor caminho.

Essa postura tem um objetivo claro: alinhar expectativas. Prefiro ter uma conversa franca e, às vezes, dizer que determinado resultado idealizado não é possível, do que gerar uma frustração no pós-operatório. A sinceridade, para mim, é parte do cuidado.

Por que o estilo de vida influencia o resultado da cirurgia?

Como cirurgiã plástica, utilizo ferramentas da medicina do estilo de vida na minha prática clínica. Isso não substitui a técnica cirúrgica, mas a potencializa. Percebi ao longo da carreira que a recuperação, a qualidade da cicatrização e a durabilidade dos resultados estão diretamente ligadas aos hábitos da paciente.

Alimentação equilibrada, sono adequado, hidratação, atividade física regular e controle do estresse são fatores que impactam a saúde de forma global e, consequentemente, o resultado estético. Um corpo mais saudável responde melhor ao trauma cirúrgico, apresenta menos complicações e mantém o contorno conquistado por mais tempo.

Por isso, quando avalio uma paciente, não olho apenas para a região que ela deseja tratar. Observo o conjunto. Muitas vezes, oriento ajustes de hábitos antes mesmo de pensarmos no bisturi. Essa não é uma tentativa de adiar a cirurgia, mas de garantir que ela aconteça no melhor momento possível, com segurança e com o melhor resultado alcançável para aquele caso específico.

Quando falo em atividade física, não indico uma modalidade única. O importante é que o corpo se movimente de forma regular e adaptada à realidade de cada pessoa. Exercícios são fundamentais para a saúde e para a preparação e recuperação cirúrgica, e a escolha da melhor prática deve considerar as particularidades de cada paciente.

Como a escuta ativa transforma o atendimento de pacientes com lipedema?

É no lipedema que a escuta ativa mostra toda a sua importância. Fui uma das primeiras médicas a realizar a cirurgia de lipedema no Brasil, em 2015, ao lado do Dr. Fábio Kamamoto. Desde então, acompanhei de perto quantas mulheres passaram anos sendo mal compreendidas, ouvindo que o problema era apenas falta de dieta ou de força de vontade.

O lipedema é uma doença do tecido conjuntivo, na qual o tecido adiposo é um dos principais acometidos. Não se trata apenas de um maior acúmulo de gordura: há mais inflamação, mais fibrose, mais flacidez, maior frouxidão ligamentar e um risco aumentado de complicações ortopédicas. É uma condição real, reconhecida pelo CID-11, e que merece um olhar atento.

A dor é o sintoma mais comum, presente em cerca de 86% das pacientes. Isso significa que existe lipedema sem dor em aproximadamente 14% dos casos. A ausência de dor, portanto, não exclui o diagnóstico. Por outro lado, é preciso haver sintomas: uma distribuição de gordura desproporcional, sozinha e sem nenhum outro sinal, não caracteriza a doença. É exatamente aqui que a escuta ativa faz diferença, pois somente ouvindo detalhadamente a história da paciente consigo diferenciar quadros e chegar a um diagnóstico assertivo.

Também gosto de esclarecer alguns pontos importantes. O lipedema não é uma condição exclusiva de mulheres com obesidade. Mulheres magras podem ter lipedema e, muitas vezes, são extremamente sintomáticas. O ganho de peso não é uma condição necessária para o diagnóstico. Em homens, a ocorrência é extremamente rara, e quando aparece, geralmente está associada a problemas hormonais ou a outras patologias. Trata-se, portanto, de uma condição predominantemente feminina.

Existe um tratamento único e definitivo para o lipedema?

Preciso ser honesta: não existe tratamento mágico para o lipedema, e não há um único tratamento isolado altamente eficaz. O que existe são muitas pequenas intervenções que, somadas, podem trazer um resultado muito bom. Com o tratamento adequado, muitas vezes é possível viver com muito menos dor e com uma qualidade de vida significativamente melhor.

Essa realidade justifica a importância de um acompanhamento com quem entende do tema e sabe construir um plano que faça sentido para cada paciente. O tratamento conservador para o lipedema envolve controle de sintomas, cuidados com a pele, orientação nutricional e atividade física adaptada. Nesse ponto, ressalto que os exercícios precisam ter controle de intensidade e de volume, com avaliação da adaptação individual e preferência por atividades que evitem o alto impacto.

Exercícios na água são excelentes, mas definitivamente não são os únicos recomendados. Musculação, pilates, bicicleta, yoga e caminhadas também são ótimas opções, sempre respeitando os limites e a resposta de cada organismo.

Quando a cirurgia de lipedema é indicada, ela é feita por meio de lipoaspiração específica, com técnica voltada para a preservação de estruturas e para o alívio dos sintomas. Em muitos casos, utilizo tecnologias voltadas para a retração da pele, sempre de acordo com a necessidade de cada paciente. É importante saber que, até o momento, os convênios não cobrem essa cirurgia. Embora o lipedema seja reconhecido como doença pelo CID-11, os planos de saúde pagam por procedimentos, e a lipoaspiração ainda não integra o rol da ANS, agência que regulamenta as coberturas obrigatórias.

Lipedema e obesidade são a mesma coisa?

Não. Lipedema e obesidade são doenças diferentes, e uma não se transforma na outra. Entretanto, é extremamente frequente que as duas coexistam. O acúmulo de gordura característico do lipedema e a sintomatologia associada, como dor e peso nas pernas, podem levar a deformidades e a um maior sedentarismo, o que pode contribuir para o ganho de peso.

Do ponto de vista metabólico, o risco no lipedema isolado tende a ser menor do que na obesidade isolada. No entanto, quando existe obesidade associada, o risco metabólico passa a ser o da obesidade. Por isso, avaliar cada paciente de forma integral é essencial para orientar o melhor caminho, sem julgamentos e sem simplificações.

Como funciona o atendimento multidisciplinar na unidade Ibirapuera?

Atualmente, sou gestora e diretora clínica da unidade Ibirapuera do Instituto Lipedema Brasil, em São Paulo, inaugurada em 2024. A unidade fica próxima ao aeroporto de Congonhas, o que facilita bastante o acesso das pacientes que vêm de todo o Brasil e do exterior.

A escuta ativa que descrevi não seria completa sem uma equipe multidisciplinar. No tratamento do lipedema e também no preparo para cirurgias estéticas e reparadoras, trabalho em conjunto com profissionais das áreas nutricional, endocrinológica e cirúrgica. Essa integração permite que cada paciente receba um plano personalizado, com acompanhamento pré e pós-operatório estruturado.

Entendo que nem todas as pacientes podem estar presencialmente em São Paulo. Por isso, mantenho uma forte atuação em telemedicina, atendendo pessoas de diferentes regiões do país e de fora dele. As consultas online permitem uma primeira avaliação cuidadosa, orientações iniciais e o planejamento de um acompanhamento contínuo, aproximando o cuidado de quem está distante.

O que esperar de uma cirurgia de contorno corporal ou reparadora?

Muitas pacientes chegam ao consultório buscando lipoaspiração de braços e coxas, lipoescultura, cirurgia de mama, cirurgia de abdômen ou correções de contorno após grandes emagrecimentos. Nesses casos, a transparência é ainda mais importante.

Pessoas que passaram por intensa perda de peso frequentemente apresentam excesso de pele e alterações no contorno corporal que exigem cirurgias reparadoras. Meu papel é avaliar tecnicamente cada situação e explicar, com clareza, o que é possível alcançar, quais são as limitações e quais cuidados serão necessários no pós-operatório.

Não trabalho com a lógica de vender corpos perfeitos. Trabalho com a lógica de devolver funcionalidade, bem-estar e uma autoimagem mais confortável, sempre dentro do que é seguro e realista para cada paciente. Discuto abertamente os prós, os contras e os limites reais de cada procedimento, para que a decisão seja tomada com plena consciência.

Quem é o profissional ideal para tratar o lipedema?

Essa é uma dúvida frequente e importante. O profissional ideal para a cirurgia de lipedema é o cirurgião plástico com experiência na doença. Isso porque o procedimento exige conhecimento técnico específico, compreensão da fisiopatologia da condição e a capacidade de integrar o tratamento cirúrgico a um plano de cuidado mais amplo.

A experiência acumulada ao longo dos anos, aliada ao acompanhamento multidisciplinar, faz toda a diferença nos resultados. Não se trata apenas de remover gordura, mas de entender a paciente por completo e de conduzir um tratamento que respeite as particularidades de cada organismo.

Por que confiar neste conteúdo?

Este artigo foi redigido com base em diretrizes e fontes científicas reconhecidas, garantindo informações seguras e realistas sobre cirurgia plástica e lipedema. As principais referências utilizadas foram:

  • Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP);
  • Orientações da American Society of Plastic Surgeons (ASPS) e da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS);
  • Publicações científicas indexadas no PubMed, JAMA e SciELO;
  • Materiais e pesquisas da Lipedema Foundation;
  • Protocolos do Instituto Lipedema Brasil e classificação do lipedema pelo CID-11.

Todo o conteúdo reflete a experiência clínica da Dra. Juliana O. G. Reis (CRM-SP 120293 | RQE 47596), cirurgiã plástica formada pela USP, com grande expertise na área de lipedema e atuação pioneira desde 2015. O objetivo é oferecer informações que sigam os protocolos médicos mais seguros e alinhados à realidade da cirurgia plástica moderna.

Perguntas frequentes

A cirurgia de lipedema cura a doença?
A cirurgia não é uma cura definitiva, mas pode reduzir de forma significativa os sintomas, especialmente a dor e o peso nas pernas, melhorando a qualidade de vida. O tratamento é composto por várias intervenções somadas, e o acompanhamento contínuo é fundamental.

Mulheres magras podem ter lipedema?
Sim. O lipedema não é exclusivo de mulheres com obesidade. Mulheres magras podem apresentar a doença e, muitas vezes, são bastante sintomáticas. O ganho de peso não é necessário para o diagnóstico.

O plano de saúde cobre a cirurgia de lipedema?
Até o momento, não. Apesar de o lipedema ser reconhecido pelo CID-11, a lipoaspiração ainda não integra o rol da ANS, motivo pelo qual os convênios não cobrem o procedimento.

Preciso ir a São Paulo para ser avaliada?
Não necessariamente. Além do atendimento presencial na unidade Ibirapuera, ofereço consultas por telemedicina, atendendo pacientes de todo o Brasil e do exterior. A avaliação online permite iniciar o planejamento e o acompanhamento do seu caso.

Como o estilo de vida ajuda no resultado da cirurgia plástica?
Hábitos saudáveis melhoram a recuperação, a cicatrização e a durabilidade dos resultados. Por isso, utilizo ferramentas da medicina do estilo de vida como parte do preparo e do acompanhamento cirúrgico.

Conclusão

A escuta ativa não é um detalhe do meu atendimento: é o alicerce dele. Antes de qualquer decisão cirúrgica, o que faço é ouvir, entender e traçar, junto com a paciente, o melhor caminho para a sua saúde e para o seu bem-estar. Unir a técnica da cirurgia plástica ao cuidado integral e à sinceridade sobre expectativas é o que considero verdadeira excelência médica.

Se você busca um atendimento que enxergue você por inteiro, e não apenas a sua queixa estética, será um prazer recebê-la. Agende sua avaliação, presencial na unidade Ibirapuera do Instituto Lipedema Brasil, em São Paulo, ou online por telemedicina. Vamos conversar com franqueza e construir, juntas, o melhor plano para o seu caso.

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