Você sente dores e um peso constante nas pernas que nenhuma dieta parece resolver? Já ouviu que era apenas uma questão de emagrecer, mas percebe que o seu corpo não responde como deveria? Se isso soa familiar, saiba que existe uma explicação, e ela tem nome: lipedema. E o caminho mais seguro para lidar com essa condição passa por uma equipe multidisciplinar para tratamento de lipedema, ou seja, um grupo de profissionais de áreas diferentes que trabalham juntos para cuidar de você por completo, e não apenas de um sintoma isolado.
No meu consultório, a primeira coisa que faço é ouvir com atenção a história de cada paciente. O lipedema é uma condição complexa, cercada de informações confusas e, muitas vezes, de diagnósticos tardios. Por isso, escrevi este texto de forma didática e sincera, para que você entenda o que é essa doença, por que ela exige o olhar de vários especialistas e como o acompanhamento correto pode transformar a sua qualidade de vida.
O que é lipedema e por que ele é tão diferente da obesidade?
O lipedema é frequentemente confundido com obesidade ou com o simples acúmulo de gordura. No entanto, trata-se de uma condição bem específica. Ao contrário do que muitos pensam, o lipedema não é uma doença do tecido adiposo (a gordura): ele é uma doença do tecido conjuntivo, no qual o tecido gorduroso acaba sendo um dos principais afetados.
Isso significa que não estamos falando apenas de um maior número de células de gordura. No lipedema existe mais inflamação, mais fibrose, mais flacidez, maior frouxidão dos ligamentos e um risco aumentado de complicações ortopédicas ao longo do tempo. Essa distribuição costuma ser desproporcional, acometendo principalmente pernas e braços, enquanto o tronco pode permanecer mais fino.
É importante entender que lipedema e obesidade são doenças diferentes. Uma não se transforma na outra. Contudo, é extremamente frequente que as duas coexistam. O acúmulo de gordura característico do lipedema e os sintomas associados, como dor e sensação de peso nas pernas, podem dificultar a prática de atividade física e favorecer o sedentarismo, o que, por sua vez, pode contribuir para o ganho de peso. Ou seja, são condições distintas, mas que muitas vezes caminham juntas.
Vale destacar ainda que o risco metabólico do lipedema, quando isolado, tende a ser menor do que o da obesidade. Porém, quando há obesidade associada, o risco metabólico passa a ser o da obesidade, o que reforça a necessidade de um cuidado integral.
O lipedema é uma condição exclusiva de mulheres com sobrepeso?
Essa é uma das dúvidas mais comuns e também um dos maiores equívocos. O lipedema é mais frequentemente associado à obesidade, mas mulheres magras podem sim ter lipedema, e muitas vezes são extremamente sintomáticas. O ganho de peso não é uma condição necessária para que se chegue ao diagnóstico. Portanto, o lipedema não é uma condição exclusiva de mulheres com sobrepeso.
Trata-se de uma condição predominantemente feminina. Em homens, o lipedema é extremamente raro e, quando ocorre, geralmente está associado a problemas hormonais ou a outras patologias. Por isso, o diagnóstico deve sempre ser feito por um profissional experiente, capaz de avaliar o quadro clínico completo.
Outro ponto que costumo esclarecer é sobre a dor. Embora seja o sintoma mais comum, ela não está presente em todas as pacientes. A dor aparece em cerca de 86% dos casos, o que significa que existe lipedema sem dor em aproximadamente 14% das mulheres. A ausência de dor, portanto, não exclui o diagnóstico. Por outro lado, é preciso haver sintomas: pacientes que apenas apresentam uma distribuição de gordura desproporcional, mas sem qualquer sintoma, não são consideradas portadoras de lipedema.
Por que o lipedema exige uma equipe multidisciplinar?
Quando falamos de lipedema, é fundamental compreender uma verdade que sempre repito no consultório: não existe tratamento mágico e não existe uma única intervenção altamente eficaz que resolva tudo sozinha. O que existe são muitas pequenas ações que, quando combinadas, podem trazer um resultado muito bom.
É justamente por isso que a equipe multidisciplinar faz tanta diferença. Cada profissional cuida de uma parte do problema, e a soma desses cuidados constrói um plano sólido e personalizado. Veja como cada área contribui:
- Cirurgia plástica: a lipoaspiração específica para lipedema, quando bem indicada, pode remover o tecido doente, aliviar a dor e melhorar tanto a mobilidade quanto o contorno corporal. Aqui, a experiência do cirurgião com lipedema é decisiva.
- Nutrição: uma alimentação anti-inflamatória e adequada ao quadro ajuda a controlar sintomas, favorece o resultado cirúrgico e cuida do peso quando existe obesidade associada.
- Endocrinologia: a avaliação hormonal e metabólica é essencial, sobretudo porque o lipedema costuma se manifestar ou piorar em fases de grandes mudanças hormonais.
- Atividade física orientada: os exercícios são fundamentais no manejo do lipedema, mas precisam de controle de intensidade e volume, além de respeitar a adaptação individual de cada paciente.
Essa integração é o que justifica a importância de ser acompanhada por alguém que realmente entenda do tema. Só assim é possível oferecer opções que façam sentido para o seu caso específico, respeitando o seu momento de vida e as suas necessidades.
Qual o papel dos exercícios físicos no tratamento?
Muitas pacientes chegam até mim acreditando que só devem se exercitar dentro da água. Os exercícios aquáticos são realmente excelentes para quem tem lipedema, pois reduzem o impacto e ajudam na circulação. No entanto, eles definitivamente não são as únicas opções recomendadas.
Musculação, pilates, bicicleta, yoga e caminhadas são exemplos de atividades que podem ser muito benéficas. O ponto central não é escolher uma modalidade específica de forma isolada, mas sim garantir que os exercícios tenham controle de intensidade e de volume, além de evitar o alto impacto e respeitar a adaptação individual de cada corpo.
Como cirurgiã plástica, utilizo ferramentas da medicina do estilo de vida na minha prática clínica justamente porque percebo, no dia a dia, o quanto a movimentação regular influencia no controle dos sintomas e na qualidade dos resultados. Por isso, oriento sempre que a atividade física seja parte do plano, mas de forma segura e individualizada.
Como funciona o diagnóstico e quem deve conduzi-lo?
O diagnóstico do lipedema é essencialmente clínico. Isso quer dizer que ele depende de uma avaliação detalhada da história da paciente, dos sintomas e do exame físico. Um dos achados que buscamos é o chamado sinal do garrote, que corresponde à interrupção abrupta do acúmulo de gordura na altura dos tornozelos ou dos punhos, deixando os pés e as mãos preservados.
Como o lipedema pode se confundir com outras condições, é fundamental que a avaliação seja conduzida por um profissional com experiência real na área. Quando o assunto é o tratamento cirúrgico, o médico ideal para a cirurgia de lipedema é o cirurgião plástico com experiência em lipedema, capaz de indicar a abordagem correta e de alinhar as expectativas de forma honesta.
No processo de diagnóstico, também avaliamos a presença de flacidez de pele, o grau de frouxidão dos tecidos e a necessidade de recursos adicionais durante a cirurgia. Quando indicado, utilizo tecnologias voltadas para a retração da pele, que auxiliam no resultado final em casos específicos. Cada plano é único, e é por isso que a escuta ativa vem sempre em primeiro lugar.
O plano de saúde cobre a cirurgia de lipedema?
Essa é uma pergunta que ouço com muita frequência, e a resposta merece transparência total. O lipedema foi reconhecido como doença pelo CID-11, que é o código internacional de doenças. No entanto, os convênios pagam por procedimentos, e no caso do lipedema o procedimento em questão é a lipoaspiração.
Acontece que essa lipoaspiração ainda não está incluída no rol da ANS, a agência nacional que regulamenta os procedimentos que devem ser cobertos pelos convênios. Por esse motivo, até o momento, os planos de saúde não custeiam essa cirurgia. É uma informação importante para que você possa se planejar com clareza e sem surpresas.
Como alinhar expectativas antes de qualquer cirurgia?
O resultado de uma cirurgia plástica não depende apenas do que acontece dentro do centro cirúrgico. Com a minha formação pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), percebi desde cedo que o sucesso do tratamento e a recuperação estão profundamente ligados ao estilo de vida do paciente. É por isso que trato pacientes com lipedema e com queixas estéticas ajustando alimentação e hábitos antes mesmo de pensarmos no bisturi.
Ser sincera sobre prós, contras e limites reais de cada procedimento é um compromisso que assumo com cada pessoa que me procura. Prefiro dizer a verdade a criar expectativas que não se sustentam. Com o tratamento adequado, muitas vezes é possível viver com muito menos dor e com mais qualidade de vida, mas isso exige comprometimento mútuo, paciência e um plano bem estruturado.
Esse cuidado se aplica tanto a quem busca tratamento para o lipedema quanto a quem deseja lipoaspiração de braços e coxas, lipoescultura, cirurgias de mama e de abdômen, ou ainda o contorno corporal após grandes emagrecimentos. Em todos os casos, o objetivo é unir excelência técnica ao cuidado real com a saúde.
A unidade Ibirapuera do Instituto Lipedema Brasil
Fui uma das primeiras médicas a realizar a cirurgia de lipedema no Brasil, em 2015, ao lado do Dr. Fábio Kamamoto. Desde então, dediquei boa parte da minha trajetória a compreender essa condição e a oferecer um cuidado que vá além da queixa estética.
Hoje atuo como diretora clínica da unidade Ibirapuera do Instituto Lipedema Brasil, em São Paulo, um polo de excelência para o diagnóstico e o tratamento dessa doença. A unidade está localizada próxima ao aeroporto de Congonhas, o que facilita o acesso de pacientes que vêm de todo o Brasil. Para quem está mais distante ou no exterior, ofereço também atendimento por telemedicina, com acompanhamento pré e pós-operatório estruturado.
Nesse espaço, a equipe multidisciplinar trabalha de forma integrada, com profissionais da nutrição, da endocrinologia e da cirurgia atuando em conjunto. Essa abordagem permite construir um plano completo, respeitando as particularidades de cada paciente e cuidando da saúde de maneira global.
Por que confiar neste conteúdo?
Este artigo foi redigido com base em diretrizes e evidências reconhecidas na área da cirurgia plástica e do lipedema, garantindo que as informações sigam os protocolos médicos mais seguros e realistas. As principais bases utilizadas foram:
- Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).
- Orientações da American Society of Plastic Surgeons (ASPS) e da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS).
- Publicações e protocolos da Lipedema Foundation.
- Protocolos do Instituto Lipedema Brasil.
- Classificação internacional de doenças (CID-11) para o reconhecimento do lipedema.
Todo o conteúdo foi elaborado e revisado por mim, Dra. Juliana O. G. Reis (CRM-SP 120293 | RQE 47596), cirurgiã plástica formada pela USP, com grande experiência na área de lipedema e atuação pioneira na cirurgia dessa condição no Brasil desde 2015.
Perguntas frequentes sobre lipedema e equipe multidisciplinar
1. O lipedema tem cura?
O lipedema é uma condição crônica e não existe uma cura definitiva. No entanto, com o tratamento adequado e o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, muitas vezes é possível controlar os sintomas, reduzir a dor e melhorar significativamente a qualidade de vida.
2. Emagrecer resolve o lipedema?
Emagrecer pode ajudar quando há obesidade associada, mas não elimina o tecido acometido pelo lipedema. Como se trata de uma doença do tecido conjuntivo, o simples emagrecimento não resolve a distribuição desproporcional nem os sintomas característicos.
3. Toda paciente com lipedema precisa de cirurgia?
Não. Muitas pacientes se beneficiam do tratamento conservador, que envolve alimentação, atividade física orientada e outros cuidados. A indicação cirúrgica depende de uma avaliação individual, considerando os sintomas, o estágio da doença e as expectativas de cada pessoa.
4. O plano de saúde cobre a cirurgia de lipedema?
Até o momento, não. Embora o lipedema seja reconhecido pelo CID-11, a lipoaspiração indicada para o tratamento ainda não faz parte do rol da ANS, motivo pelo qual os convênios não custeiam o procedimento.
5. Homens podem ter lipedema?
É extremamente raro. O lipedema é uma condição predominantemente feminina e, quando ocorre em homens, geralmente está associado a problemas hormonais ou a outras patologias.
6. Posso ser atendida à distância?
Sim. Além do atendimento presencial na unidade Ibirapuera, ofereço acompanhamento por telemedicina para pacientes de todo o Brasil e do exterior, com planos de suporte antes e depois de qualquer procedimento.
Conclusão: cuidar do lipedema é cuidar de você por inteiro
O lipedema é uma condição complexa que exige mais do que uma única solução. Ele pede um olhar completo, capaz de unir cirurgia plástica de excelência, nutrição, avaliação hormonal e um estilo de vida ativo. É essa combinação, conduzida por uma equipe multidisciplinar experiente, que constrói resultados consistentes e duradouros.
Se você convive com dores, com a sensação de peso nas pernas ou com a frustração de não encontrar respostas, saiba que existe caminho e que ele começa com um diagnóstico assertivo e um plano feito para o seu corpo. Se você busca excelência técnica unida ao cuidado real com a sua saúde, agende a sua avaliação presencial ou online comigo, Dra. Juliana Reis. Vamos, juntas, traçar o melhor plano para o seu caso.