Você convive com dores e uma sensação de peso constante nas pernas que nenhuma dieta parece resolver? Já ouviu que é apenas “retenção de líquido” ou “falta de esforço”, mas sente que algo mais profundo acontece com o seu corpo? Se você se reconhece nessa descrição, saiba que a primeira coisa que faço em consultório é ouvir a sua história com atenção. É justamente por isso que estruturei, ao lado do Instituto Lipedema Brasil, uma equipe multidisciplinar para tratamento de lipedema na unidade Ibirapuera, um espaço pensado para acolher pacientes de todo o Brasil e do exterior com seriedade, técnica e sinceridade.
O lipedema é uma doença real, muitas vezes negligenciada, e o seu tratamento raramente se resolve com uma única intervenção. Ao longo deste texto, quero explicar como funciona esse cuidado completo, o que a cirurgia pode e o que não pode oferecer, e por que a integração entre cirurgia plástica e as ferramentas da medicina do estilo de vida faz tanta diferença no resultado final.
O que é o lipedema e por que ele exige um cuidado completo?
Preciso começar por um ponto que ainda gera muita confusão, inclusive entre profissionais de saúde. O lipedema não é uma doença do tecido adiposo, como muitos imaginam. Trata-se de uma doença do tecido conjuntivo, no qual o tecido gorduroso é um dos principais afetados. Isso muda completamente a forma como devemos entender e tratar a condição.
Não estamos diante de um simples acúmulo de células de gordura. No lipedema, existe mais inflamação, mais fibrose, mais flacidez, maior frouxidão dos ligamentos e um risco aumentado de complicações ortopédicas ao longo do tempo. Por isso, reduzir o lipedema a uma questão de “emagrecer” é um erro que atrasa o diagnóstico e prolonga o sofrimento de muitas pacientes.
A dor é o sintoma mais comum, presente em cerca de 86% das pacientes. Isso significa que existe lipedema sem dor em aproximadamente 14% dos casos. A ausência de dor, portanto, não exclui o diagnóstico. Por outro lado, é importante que existam sintomas: uma pessoa com distribuição de gordura desproporcional, mas sem nenhum sintoma associado, não é considerada portadora de lipedema. Esse equilíbrio no diagnóstico é fundamental, e depende de uma avaliação criteriosa.
Outro ponto que costumo esclarecer é a diferença entre lipedema e obesidade. São doenças distintas, e uma não se transforma na outra. Contudo, é extremamente frequente que coexistam. O acúmulo de gordura característico do lipedema e os sintomas associados, como dor e peso nas pernas, podem levar a deformidades e a um comportamento mais sedentário, o que pode favorecer o ganho de peso. Quando existe obesidade associada, o risco metabólico passa a ser o da obesidade, e não mais o risco reduzido observado no lipedema isolado.
O lipedema é uma condição exclusiva de mulheres com obesidade?
Não. Essa é uma das crenças mais equivocadas sobre a doença. Embora o lipedema seja mais comumente associado à obesidade, mulheres magras também podem ter lipedema e, muitas vezes, são extremamente sintomáticas. O ganho de peso não é uma condição necessária para que o diagnóstico seja feito.
É uma condição predominantemente feminina. O lipedema em homens é algo extremamente raro e, quando ocorre, geralmente está associado a problemas hormonais ou a outras patologias. Na prática do dia a dia, atendo majoritariamente mulheres que passaram anos sem uma explicação adequada para o formato do seu corpo e para as suas dores.
Vale mencionar um sinal clínico útil na avaliação: o chamado sinal do garrote, no qual há uma delimitação clara entre a região afetada e áreas como os pés, que costumam ser poupados. Detalhes como esse, somados a uma boa conversa e ao exame físico cuidadoso, ajudam a construir um diagnóstico assertivo.
Existe um tratamento único e definitivo para o lipedema?
Preciso ser sincera, porque a sinceridade é a base de todo o meu trabalho: não existe tratamento mágico para o lipedema, nem uma única intervenção altamente eficaz que resolva tudo sozinha. O que existe são várias intervenções que, somadas, podem trazer um resultado muito bom. Com o tratamento adequado, muitas vezes é possível viver com menos dor e com muito mais qualidade de vida.
É exatamente por isso que defendo o acompanhamento com uma equipe que realmente entenda do tema. Cada paciente é única, e as opções precisam fazer sentido para o seu corpo, para a sua rotina e para os seus objetivos. O tratamento se divide, de forma geral, em abordagem conservadora, tratamento clínico e, quando indicado, tratamento cirúrgico.
Tratamento conservador e clínico
O tratamento conservador reúne medidas importantes que ajudam a controlar sintomas e a preparar o corpo, inclusive para uma eventual cirurgia. Aqui entram as ferramentas da medicina do estilo de vida, que utilizo na minha prática como cirurgiã plástica para potencializar tanto a saúde quanto os resultados.
A alimentação equilibrada, orientada por profissionais da nutrição, tem papel relevante no controle da inflamação e do peso. Os exercícios físicos são fundamentais, mas precisam de atenção especial no lipedema: devem ter controle de intensidade e de volume, respeitar a adaptação individual de cada paciente e, preferencialmente, evitar o alto impacto. Atividades na água são excelentes, mas definitivamente não são as únicas recomendadas. Musculação, pilates, bicicleta, ioga e caminhadas também são ótimas opções, sempre com orientação adequada.
Tratamento cirúrgico do lipedema
Quando o tratamento conservador não é suficiente para controlar os sintomas, a cirurgia entra como uma ferramenta importante. A lipoaspiração específica para lipedema tem como objetivo remover o tecido doente, reduzir a dor e melhorar a mobilidade e o contorno corporal. Não se trata de uma lipoaspiração estética convencional, e sim de um procedimento voltado para o tratamento de uma doença.
Fui uma das primeiras médicas a realizar a cirurgia de lipedema no Brasil, em 2015, ao lado do Dr. Fábio Kamamoto. Desde então, acompanho de perto a evolução das técnicas e dos protocolos. Em muitos casos, associo tecnologias voltadas para a retração da pele, sempre com o objetivo de oferecer o melhor resultado possível dentro daquilo que é realista para cada organismo.
Como funciona a equipe multidisciplinar na unidade Ibirapuera?
O lipedema não deve ser tratado de forma isolada. Como diretora clínica da unidade Ibirapuera do Instituto Lipedema Brasil, coordeno um trabalho conjunto com profissionais de diferentes áreas, incluindo nutrição e endocrinologia. Essa integração permite olhar para a paciente como um todo, e não apenas para a queixa cirúrgica.
Antes de qualquer decisão sobre o centro cirúrgico, avaliamos alimentação, hábitos, condição metabólica e expectativas. O sucesso de uma cirurgia não depende apenas do que acontece durante o procedimento. Ele está diretamente ligado à preparação pré-operatória e ao cuidado no pós-operatório. Por isso, oferecemos planos de acompanhamento pré e pós-operatório estruturados, que aumentam a segurança e a qualidade do resultado.
A unidade Ibirapuera foi inaugurada em 2024 e está localizada em São Paulo, próxima ao aeroporto de Congonhas. Escolhemos essa localização de forma estratégica, pensando na facilidade de acesso para as pacientes que vêm de todo o país. Muitas viajam para realizar a avaliação e o tratamento, e a proximidade com o aeroporto torna essa jornada mais simples e confortável.
Quem vem de longe consegue ser atendido? E o atendimento online?
Sim. Além do atendimento presencial na unidade Ibirapuera, mantenho uma forte atuação em telemedicina, o que permite iniciar conversas, esclarecer dúvidas e acompanhar pacientes do Brasil e do exterior. A telemedicina é especialmente útil para as etapas de orientação inicial, alinhamento de expectativas e seguimento pós-operatório.
Essa flexibilidade não substitui a avaliação presencial quando ela é necessária, principalmente diante da possibilidade de uma cirurgia. No entanto, ela torna o cuidado mais acessível e contínuo, reduzindo barreiras geográficas para quem busca um tratamento de excelência.
O plano de saúde cobre a cirurgia de lipedema?
Essa é uma dúvida muito frequente, e a resposta merece transparência. O lipedema foi reconhecido como doença pelo CID-11, o código internacional de doenças. Contudo, os convênios pagam por procedimentos, e o procedimento em questão é a lipoaspiração, que ainda não consta no rol da ANS, a agência que regulamenta o que deve ser coberto pelos planos de saúde. Por esse motivo, até o momento, os convênios não cobrem essa cirurgia.
Prefiro esclarecer isso logo no início, para que você possa planejar a sua jornada com informações corretas e sem surpresas. A transparência faz parte de todo o meu trabalho, inclusive nas questões práticas e financeiras.
Quais são os limites reais da cirurgia? O que esperar do resultado?
Aqui está um ponto em que faço questão de ser bastante clara. A cirurgia é uma ferramenta poderosa, mas não é uma promessa de perfeição. Alinhar expectativas de forma honesta é, na minha visão, tão importante quanto a técnica no centro cirúrgico.
No lipedema, o objetivo principal é o alívio dos sintomas e a melhora funcional e do contorno. A qualidade da pele, o grau de flacidez, a presença de obesidade associada e a resposta individual do organismo influenciam diretamente o que é possível alcançar. Por isso, discuto com cada paciente os prós, os contras e as limitações do seu caso específico, para que a decisão seja segura e consciente.
Esse mesmo princípio se aplica às cirurgias estéticas e reparadoras que realizo, como lipoaspiração de braços e coxas, lipoescultura, cirurgias de mama, cirurgia de abdômen e o contorno corporal após grandes emagrecimentos. Em todos os casos, o cuidado com a saúde global e com o estilo de vida potencializa o resultado e favorece uma recuperação mais tranquila.
Qual é o médico ideal para tratar o lipedema?
O profissional mais indicado para a cirurgia de lipedema é o cirurgião plástico com experiência na condição. Isso porque o procedimento exige domínio técnico, conhecimento profundo da doença e capacidade de indicar quando operar e, igualmente importante, quando não operar.
Minha formação foi construída na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, com residência em Cirurgia Geral e Cirurgia Plástica pelo Hospital das Clínicas da USP. Ao longo dos anos, desenvolvi grande experiência na área de lipedema e um atendimento focado em pacientes com essa condição, sempre unindo excelência cirúrgica ao cuidado integral com a saúde.
Por que confiar neste conteúdo?
Este artigo foi redigido com base em diretrizes e evidências reconhecidas na área médica, garantindo informações seguras e realistas sobre o tratamento do lipedema e a cirurgia plástica moderna. As principais referências utilizadas foram:
- Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), referência nacional em segurança e boas práticas cirúrgicas.
- Orientações da American Society of Plastic Surgeons (ASPS) e da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS).
- Publicações científicas indexadas em bases como PubMed e SciELO sobre lipedema e contorno corporal.
- Materiais e pesquisas da Lipedema Foundation e protocolos do Instituto Lipedema Brasil.
- Reconhecimento do lipedema como doença pelo CID-11 (Organização Mundial da Saúde).
Todo o conteúdo reflete a experiência clínica de eu, Dra. Juliana Reis (CRM-SP 120293 | RQE 47596), cirurgiã plástica formada pela USP e uma das pioneiras na cirurgia de lipedema no Brasil desde 2015.
Perguntas frequentes sobre o tratamento do lipedema
O lipedema tem cura?
O lipedema é uma doença crônica e, até o momento, não falamos em cura definitiva. No entanto, com o tratamento adequado, envolvendo medidas conservadoras, clínicas e, quando indicada, a cirurgia, muitas vezes é possível controlar os sintomas e recuperar qualidade de vida.
A cirurgia de lipedema é apenas estética?
Não. A lipoaspiração para lipedema tem finalidade terapêutica, com o objetivo de remover o tecido doente, aliviar a dor e melhorar a função e o contorno. O benefício estético existe, mas o foco é o tratamento da doença.
Preciso emagrecer antes de tratar o lipedema?
Não necessariamente. Mulheres magras também podem ter lipedema. Quando há obesidade associada, o controle do peso costuma ser importante para a saúde e para o resultado, mas isso é avaliado individualmente pela equipe.
Posso fazer exercícios mesmo com lipedema?
Sim, e os exercícios são fundamentais. O ideal é que sejam feitos com controle de intensidade e volume, respeitando a adaptação individual e evitando o alto impacto. Atividades na água, musculação, pilates, bicicleta, ioga e caminhadas estão entre as opções, sempre com orientação profissional.
Consigo iniciar o tratamento à distância?
Sim. Por meio da telemedicina, é possível iniciar a orientação, esclarecer dúvidas e realizar o acompanhamento, o que facilita o cuidado de pacientes de outras cidades e países. A avaliação presencial é indicada quando necessária, especialmente diante da possibilidade cirúrgica.
Dê o próximo passo com segurança
Se você busca excelência técnica unida ao cuidado real com a sua saúde, quero convidá-la a conhecer o suporte completo que oferecemos. Na unidade Ibirapuera do Instituto Lipedema Brasil, você encontra uma equipe multidisciplinar, um diagnóstico assertivo e um plano de tratamento construído especialmente para o seu caso, sempre com transparência sobre o que é possível alcançar.
Agende a sua avaliação presencial, em São Paulo, próxima ao aeroporto de Congonhas, ou online, de qualquer lugar do Brasil e do exterior. Será um prazer ouvir a sua história e traçar, juntas, o melhor caminho para a sua saúde e para o seu bem-estar.