Você já entrou em um consultório de cirurgia plástica e saiu com a sensação de que ninguém realmente ouviu a sua história? Ou talvez sinta dores e peso constantes nas pernas que nenhuma dieta parece resolver e, mesmo assim, foi tratada como se o problema fosse apenas estético? Se você se identificou com alguma dessas situações, este texto foi escrito para você. Meu nome é Dra. Juliana Reis, sou cirurgiã plástica formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), e quero apresentar, de forma sincera e acessível, como penso a medicina e de que maneira conduzo o atendimento dos meus pacientes.
Acredito que, antes de qualquer decisão sobre cirurgia, a pessoa precisa entender quem é o profissional que vai cuidar dela. Por isso, neste artigo, vou compartilhar minha formação técnica, os pilares que orientam meu trabalho e como integro a excelência cirúrgica ao cuidado real com a sua saúde. Não espere promessas de corpos perfeitos aqui. Espere transparência.
Qual é a formação da Dra. Juliana Reis?
Minha trajetória começou na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), onde me formei em 2005. A USP é uma das instituições de ensino médico mais respeitadas do país, e foi lá que construí a base sólida que sustenta toda a minha prática até hoje. Depois da graduação, concluí a Residência Médica em Cirurgia Geral e, na sequência, em Cirurgia Plástica, ambas pelo Hospital das Clínicas da USP.
Essa sequência de formação importa muito. Antes de me especializar na cirurgia plástica propriamente dita, passei pela cirurgia geral, o que me deu domínio sobre fundamentos essenciais: manejo de tecidos, segurança no centro cirúrgico, cuidado pré e pós-operatório e tomada de decisão em situações complexas. Como cirurgiã plástica formada na USP, carrego comigo o rigor técnico e o compromisso com a segurança que aprendi nesse ambiente.
Além disso, sou membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) desde 2012. Essa filiação não é apenas um título. Ela representa o compromisso de seguir diretrizes éticas e técnicas reconhecidas, de me manter atualizada e de praticar a cirurgia plástica dentro dos padrões mais seguros da medicina moderna.
O que significa ser uma cirurgiã plástica que utiliza ferramentas da medicina do estilo de vida?
Minha principal especialidade é a cirurgia plástica. Isso precisa ficar claro desde o início. No entanto, ao longo dos anos de prática, percebi algo que muitos pacientes não sabem: o resultado de uma cirurgia não depende apenas do que acontece dentro do centro cirúrgico. Ele começa antes, na preparação do corpo, e continua depois, na recuperação e na manutenção.
Por esse motivo, utilizo ferramentas da medicina do estilo de vida na minha prática clínica. Isso significa que, além de planejar a técnica cirúrgica ideal para cada caso, olho também para os hábitos do paciente: alimentação, atividade física, sono e manejo do estresse. Não porque eu queira transformar a consulta de cirurgia em uma consulta de outra área, mas porque esses fatores influenciam diretamente a qualidade da cicatrização, a redução de inflamação e a durabilidade do resultado estético.
Quando sugiro que a atividade física faça parte da preparação e da recuperação, não estou prescrevendo uma modalidade específica. Apenas reforço que os exercícios são fundamentais para a saúde e para o resultado. Da mesma forma, quando falo de alimentação, trato de hábitos sustentáveis, e não de dietas restritivas ou milagrosas. O meu objetivo é unir a técnica cirúrgica a um cuidado genuíno com a sua saúde como um todo.
Como funciona o pilar da escuta ativa no atendimento?
Se eu precisasse resumir o primeiro pilar do meu atendimento em duas palavras, escolheria “escuta ativa”. No meu consultório, a primeira coisa que faço é ouvir. Ouvir de verdade. Quero entender não apenas a queixa estética que trouxe você até mim, mas também o contexto da sua vida, suas expectativas, seus medos e aquilo que realmente incomoda no seu dia a dia.
Muitas pacientes chegam frustradas porque já passaram por consultas em que foram tratadas apenas como um conjunto de medidas a serem corrigidas. Eu enxergo a pessoa inteira. Essa escuta me permite entender se a cirurgia é, de fato, o melhor caminho para aquele momento, ou se existem passos anteriores que precisam ser dados primeiro.
A escuta ativa também é a base para o segundo pilar, que considero inegociável: o alinhamento de expectativas com total sinceridade.
Por que o alinhamento de expectativas é tão importante antes de uma cirurgia?
Vivemos em uma época de imagens editadas e promessas irreais. Isso cria expectativas que, muitas vezes, nenhuma cirurgia consegue cumprir. Por isso, sou extremamente transparente sobre prós, contras e limitações reais de cada procedimento.
Discutir as limitações não é pessimismo. É responsabilidade. Prefiro que você saia da consulta com uma compreensão realista do que é possível alcançar, do tempo de recuperação envolvido e dos cuidados necessários, a criar uma ilusão que levaria à frustração mais tarde. Uma decisão cirúrgica segura é aquela tomada com informação completa.
Explico, por exemplo, que o contorno corporal depende de fatores individuais, como a qualidade e a elasticidade da pele, a estrutura óssea e os hábitos de vida. Quando necessário, utilizo tecnologias auxiliares para favorecer a retração da pele, sempre explicando de forma didática o que cada recurso pode e o que não pode oferecer. O meu compromisso é com a sua confiança, não com a venda de um procedimento.
Qual é a experiência da Dra. Juliana Reis com o lipedema?
Uma parte muito significativa do meu trabalho envolve pacientes com lipedema. Tenho grande experiência nessa área e fui uma das primeiras médicas a realizar a cirurgia de lipedema no Brasil, em 2015, ao lado do Dr. Fábio Kamamoto. Desde então, acompanho de perto a evolução do conhecimento sobre essa condição.
O lipedema ainda é pouco compreendido, até mesmo entre profissionais de saúde. Trata-se de uma doença do tecido conjuntivo, na qual o tecido adiposo é um dos principais acometidos. Não é simplesmente um acúmulo maior de gordura. Existe, nesse quadro, mais inflamação, mais fibrose, mais flacidez e frouxidão ligamentar, além de um risco aumentado de complicações ortopédicas ao longo do tempo.
A dor é o sintoma mais comum, presente em cerca de 86% das pacientes. Isso significa que existem casos de lipedema sem dor, em torno de 14%. A ausência de dor não exclui o diagnóstico. Por outro lado, é preciso haver sintomas: uma pessoa com distribuição de gordura desproporcional, mas sem nenhum sintoma, não é necessariamente portadora de lipedema.
Também é importante esclarecer um ponto que gera muita confusão. O lipedema não é uma condição exclusiva de mulheres com obesidade. Mulheres magras podem ter lipedema e, muitas vezes, são extremamente sintomáticas. O ganho de peso não é uma exigência para o diagnóstico. Em homens, o lipedema é extremamente raro, pois a condição é predominantemente feminina, e quando ocorre, geralmente está associado a problemas hormonais ou a outras patologias.
Lipedema e obesidade são a mesma coisa?
Não. Lipedema e obesidade são doenças diferentes. Uma não se transforma na outra. Contudo, é extremamente frequente que as duas coexistam. O acúmulo de gordura próprio do lipedema e os sintomas associados, como dor e peso nas pernas, podem levar a deformidades e a maior sedentarismo, o que, por sua vez, pode favorecer o ganho de peso.
Do ponto de vista metabólico, o risco no lipedema isolado tende a ser menor do que na obesidade isolada. Entretanto, quando há obesidade associada, o risco metabólico passa a ser o da obesidade. Por isso, avaliar cada caso de forma individual é essencial para traçar um plano verdadeiramente adequado.
Existe um tratamento único e definitivo para o lipedema?
Essa é uma das perguntas que mais recebo, e a resposta sincera é: não existe tratamento mágico para o lipedema, nem um único recurso altamente eficaz que resolva tudo sozinho. O que existe são muitas intervenções que, somadas, podem trazer um resultado muito bom.
Entre essas intervenções estão o tratamento conservador, com medidas clínicas e mudanças de hábitos, e, em casos selecionados, a cirurgia, que no lipedema corresponde à lipoaspiração específica para a condição. Os exercícios físicos têm papel importante, mas precisam de controle de intensidade e de volume, além de respeitar a adaptação individual e evitar o alto impacto. Atividades na água são excelentes, porém não são as únicas recomendadas. Musculação, pilates, bicicleta, yoga e caminhadas também são boas opções, sempre com orientação adequada.
Justamente porque não há uma solução única, o acompanhamento com uma equipe que entenda profundamente do tema faz tanta diferença. Cada paciente precisa de um conjunto de escolhas que façam sentido para a sua realidade. Com o tratamento adequado, muitas vezes é possível reduzir significativamente a dor e melhorar a qualidade de vida.
Como funciona o atendimento multidisciplinar na unidade Ibirapuera?
Atualmente, sou gestora e diretora clínica da unidade Ibirapuera do Instituto Lipedema Brasil, inaugurada em 2024. Faço parte do corpo cirúrgico do Instituto desde a sua fundação, em 2021. A unidade fica em São Paulo, próxima ao aeroporto de Congonhas, o que facilita bastante o acesso de pacientes que vêm de outras cidades e estados.
Nesse espaço, trabalho com uma equipe multidisciplinar para tratamento de lipedema e para outras demandas de cirurgia plástica. A articulação entre áreas como nutrição, endocrinologia e cirurgia permite oferecer um acompanhamento pré e pós-operatório estruturado. Afinal, a preparação do paciente e os cuidados após o procedimento são tão importantes quanto a cirurgia em si.
Esse modelo reflete o meu entendimento de que a saúde é integral. Ao reunir diferentes olhares profissionais, conseguimos tratar não apenas a queixa que trouxe o paciente até nós, mas também os fatores que influenciam o resultado a longo prazo.
Quais cirurgias plásticas a Dra. Juliana Reis realiza?
Além do atendimento focado em pacientes com lipedema, atuo com cirurgias plásticas estéticas e reparadoras. Entre os procedimentos mais frequentes estão a lipoaspiração de braços e coxas, além de regiões como joelhos, abdômen, flancos, papada e costas, e a lipoescultura de alta performance.
Também realizo cirurgias de mama e cirurgia reparadora da barriga, incluindo o atendimento a pessoas que passaram por grandes emagrecimentos e precisam de contorno corporal pós-emagrecimento. Nesses casos, a sobra de pele e a necessidade de readequação do contorno exigem planejamento cuidadoso e expectativas bem alinhadas.
Em todos esses procedimentos, mantenho o mesmo princípio: resultados tecnicamente excelentes, aliados a uma conversa honesta sobre o que é possível e sobre os cuidados necessários. Busco unir a lipoescultura de alta performance e as demais técnicas a um planejamento que respeite a individualidade e a saúde de cada pessoa.
É possível ser atendido pela Dra. Juliana Reis a distância?
Sim. Atendo pacientes de todo o Brasil e também do exterior. O atendimento presencial acontece na unidade Ibirapuera, em São Paulo, mas mantenho uma forte atuação em telemedicina. Por meio de consultas online, consigo realizar avaliações iniciais, esclarecer dúvidas, orientar sobre o tratamento conservador para lipedema e acompanhar pacientes que estão distantes.
Essa combinação entre o presencial e o online amplia o acesso a um cuidado de qualidade. Pacientes que não conseguem viajar com frequência podem iniciar o processo a distância e organizar as etapas presenciais de forma planejada, especialmente quando há procedimentos cirúrgicos envolvidos.
O plano de saúde cobre a cirurgia de lipedema?
Essa é uma dúvida muito comum e merece uma resposta clara. O lipedema foi reconhecido como doença no CID-11, a Classificação Internacional de Doenças. No entanto, os convênios pagam por procedimentos, e o procedimento no caso do lipedema é a lipoaspiração, que ainda não consta no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão que regulamenta o que deve ser coberto pelos planos. Dessa forma, até o momento, os convênios não cobrem essa cirurgia.
Explico isso com antecedência porque a transparência também se aplica às questões práticas e financeiras. Entender esse cenário faz parte de uma decisão bem informada.
Por que confiar neste conteúdo?
Este artigo foi redigido com base em diretrizes e referências reconhecidas na área da cirurgia plástica e do estudo do lipedema, garantindo que as informações sigam protocolos médicos seguros e realistas. Entre as bases que fundamentam o meu trabalho e este conteúdo, destaco:
- Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), da qual sou membro desde 2012.
- Protocolos do Instituto Lipedema Brasil, instituição em cujo corpo cirúrgico atuo desde a fundação, em 2021.
- Referências internacionais em cirurgia plástica, como a American Society of Plastic Surgeons (ASPS) e a International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS).
- Publicações científicas sobre lipedema e material da Lipedema Foundation.
- Formação e prática no Hospital das Clínicas da USP, base da minha trajetória em cirurgia geral e cirurgia plástica.
Este conteúdo reflete a minha experiência prática e foi elaborado com responsabilidade pela Dra. Juliana O. G. Reis (CRM-SP 120293 | RQE 47596), com o objetivo de informar e esclarecer, sem substituir uma consulta individual.
Perguntas frequentes
A cirurgia de lipedema cura a doença?
A cirurgia é uma das intervenções possíveis e pode trazer melhora significativa da dor e da qualidade de vida em casos selecionados. No entanto, o lipedema é uma condição que exige manejo contínuo, combinando diferentes abordagens. Não existe uma solução única e definitiva.
Mulher magra pode ter lipedema?
Sim. O lipedema não é exclusivo de mulheres com obesidade. Mulheres magras podem apresentar a condição e, muitas vezes, são bastante sintomáticas.
Homens podem ter lipedema?
É extremamente raro. A condição é predominantemente feminina e, quando ocorre em homens, geralmente está associada a problemas hormonais ou a outras patologias.
Qual é o médico ideal para a cirurgia de lipedema?
O profissional mais indicado é o cirurgião plástico com experiência em lipedema, capaz de avaliar a condição de forma individual e integrada à saúde geral da paciente.
Preciso mudar meus hábitos antes da cirurgia?
A preparação por meio de bons hábitos, como alimentação equilibrada e prática regular de exercícios, favorece a recuperação e a qualidade do resultado. Por isso, utilizo ferramentas da medicina do estilo de vida como parte do planejamento cirúrgico.
Conclusão
Minha trajetória, da formação na USP ao pioneirismo na cirurgia de lipedema em 2015, me ensinou que excelência técnica e cuidado com a saúde não são caminhos separados. Eles se complementam. Como cirurgiã plástica, meu compromisso é unir domínio cirúrgico, sinceridade no alinhamento de expectativas e um olhar atento ao seu bem-estar como um todo.
Se você busca um atendimento que una competência técnica ao cuidado real com a sua saúde, seja para o tratamento de lipedema, para o contorno corporal ou para cirurgias reparadoras, convido você a agendar uma avaliação comigo, eu, Dra. Juliana Reis. O atendimento pode ser presencial, na unidade Ibirapuera do Instituto Lipedema Brasil, em São Paulo, próxima ao aeroporto de Congonhas, ou online, por telemedicina, para pacientes de todo o Brasil e do exterior. Vamos conversar e traçar, juntos, o melhor plano para o seu caso.