Você já se perguntou por que algumas pessoas têm recuperações cirúrgicas fantásticas e resultados duradouros, enquanto outras parecem lutar contra o próprio corpo mesmo após o procedimento? A resposta, muitas vezes, não está apenas na habilidade do cirurgião, mas no “terreno” onde a cirurgia é realizada: o seu organismo. Ao longo da minha trajetória, desde a formação na USP até a minha atuação diária com pacientes de todo o mundo, percebi que operar um corpo inflamado é como tentar construir uma casa sólida sobre um pântano. É por isso que, no meu consultório, os pilares da saúde não são apenas uma recomendação bonita; eles são parte integrante e inegociável do meu planejamento cirúrgico.
Muitas pacientes chegam até mim com o desejo compreensível de resolver uma queixa estética ou dores causadas pelo Lipedema “para ontem”. Entendo essa urgência. Conviver com uma imagem corporal que não condiz com quem somos, ou sentir o peso constante nas pernas, é exaustivo. No entanto, a cirurgia plástica é um trauma controlado. Para que esse trauma se transforme em beleza e alívio, seu corpo precisa ter recursos biológicos para cicatrizar, desinflamar e acomodar o novo contorno.
Neste artigo, quero conversar francamente com você sobre por que eu, Dra. Juliana Reis, invisto tanto tempo e recursos da minha equipe multidisciplinar no preparo pré-operatório. Não se trata apenas de “ficar magra para operar”, mas de garantir segurança, qualidade de pele e a longevidade do resultado que buscaremos juntas no centro cirúrgico.
O que são os pilares da saúde na minha prática cirúrgica?
Quando falo em utilizar ferramentas da medicina do estilo de vida na cirurgia plástica, não estou sugerindo que você se torne uma atleta olímpica ou que siga dietas restritivas impossíveis semanas antes da cirurgia. O meu objetivo é muito mais técnico e fisiológico. O corpo humano funciona como uma orquestra, e a cirurgia é um momento de grande exigência metabólica. Se os músicos (suas células) estiverem cansados, sem nutrientes ou estressados, a sinfonia (sua recuperação e resultado) será desafinada.
Na minha avaliação, considero quatro pilares fundamentais que sustentam uma cirurgia de sucesso:
- Alimentação Anti-inflamatória: O que você come constrói a pele que eu vou operar e o colágeno que vai fechar suas incisões.
- Atividade Física Regular: Músculos fortes protegem articulações, melhoram a circulação linfática e aceleram a recuperação pós-cirúrgica.
- Sono de Qualidade: É durante o sono que modulamos hormônios essenciais para a cicatrização e controle da dor.
- Gerenciamento do Estresse: Níveis altos de cortisol prejudicam a imunidade e aumentam o risco de complicações e inchaço prolongado.
Não sou nutricionista nem educadora física, e é exatamente por isso que não trabalho sozinha. A minha atuação como cirurgiã plástica é potencializada por uma equipe multidisciplinar que prepara você para que, no dia da cirurgia, eu encontre as melhores condições possíveis de tecido para esculpir.
A conexão entre inflamação e resultado estético
Muitas pacientes me perguntam: “Dra. Juliana, por que preciso desinflamar antes da lipoaspiração? A gordura não vai sair na cirurgia?”. Essa é uma dúvida excelente. A lipoaspiração remove, de fato, as células de gordura (adipócitos) de uma determinada região. No entanto, ela não remove o ambiente inflamatório sistêmico do seu corpo.
Um corpo inflamado — seja por alimentação rica em processados, sedentarismo ou estresse crônico — retém mais líquidos, sangra mais durante a cirurgia e produz cicatrizes de pior qualidade (com maior risco de queloides ou cicatrizes hipertróficas). Além disso, a inflamação afeta a qualidade da pele. Uma pele inflamada tem menos elasticidade e capacidade de retração, o que é crucial para evitar a flacidez após a retirada da gordura.
Ao focarmos nos pilares da saúde antes do procedimento, buscamos “acalmar” esse ambiente interno. Pacientes que passam por esse preparo tendem a ter menos dor no pós-operatório, menos equimoses (roxos) e retornam às suas atividades habituais mais rapidamente. É uma questão de respeito pela sua biologia e de responsabilidade médica.
Lipedema: Um olhar além da gordura localizada
Essa abordagem global é importante para qualquer cirurgia plástica, mas quando falamos de Lipedema, ela se torna vital. Tenho me dedicado ao estudo e tratamento desta patologia há muitos anos, tendo sido uma das cirurgiãs a realizar as primeiras cirurgias focadas na doença no Brasil, em 2015, ao lado do Dr. Fábio Kamamoto. O que aprendi nessa década de experiência prática é que o Lipedema é uma doença do tecido conjuntivo, caracterizada por inflamação e fibrose, não apenas “gordura”.
Pacientes com Lipedema frequentemente sofrem com dores, sensibilidade ao toque e hematomas fáceis. Se entrarmos com uma cirurgia agressiva sem um preparo clínico prévio, podemos exacerbar esses sintomas. O tratamento cirúrgico do Lipedema não é apenas estético; é funcional. O objetivo é devolver mobilidade e qualidade de vida.
Na unidade do Instituto Lipedema Brasil em São Paulo, localizada estrategicamente em Moema, próxima ao Parque Ibirapuera e ao aeroporto de Congonhas, recebemos pacientes de todo o país. O protocolo que desenvolvemos envolve um “ataque” à inflamação do Lipedema antes mesmo de marcar a data da cirurgia. Isso envolve:
- Controle da resistência insulínica (muito comum em quem tem Lipedema associado a ganho de peso).
- Melhora do retorno venoso e linfático através de exercícios e uso de meias de compressão quando indicado.
- Suplementação específica guiada por exames laboratoriais para corrigir deficiências de vitaminas e minerais que afetam a cicatrização.
Lipedema e obesidade são doenças diferentes, mas podem coexistir. Tratar a obesidade e o perfil metabólico antes da cirurgia do Lipedema reduz drasticamente os riscos de complicações como trombose e infecção.
Sinceridade radical: O alinhamento de expectativas
Um dos pilares do meu atendimento é a sinceridade. Em um mundo de redes sociais filtradas, é meu dever ético ser a voz da realidade no consultório. Preparar o paciente com os pilares da saúde também serve para alinhar expectativas.
A cirurgia plástica, seja ela uma lipoescultura de alta definição ou uma cirurgia reparadora pós-emagrecimento, é uma ferramenta poderosa, mas não é mágica. Ela não substitui um estilo de vida saudável. Se você operar e mantiver os hábitos que causaram a inflamação ou o ganho de peso, o resultado será comprometido a médio e longo prazo.
Eu discuto abertamente as limitações técnicas. Por exemplo, em casos de grande flacidez, a lipoaspiração isolada pode não ser suficiente, mesmo com o uso de tecnologias modernas de retração de pele (que utilizo na minha prática, mas que não fazem milagres sozinhas). Às vezes, é necessário remover pele (abdominoplastia, braquioplastia). E a qualidade da cicatriz resultante dessas remoções depende diretamente do seu estado nutricional.
Como funciona o acompanhamento multidisciplinar?
Você pode estar pensando: “Dra., eu moro longe de São Paulo, como posso fazer esse preparo?”. A tecnologia hoje nos permite romper essas barreiras. Tanto no meu consultório particular quanto na direção clínica da nova unidade Ibirapuera do Instituto Lipedema Brasil, a telemedicina é uma ferramenta diária.
O processo geralmente começa com uma consulta detalhada (online ou presencial), onde faço uma escuta ativa da sua história. Não olho apenas para a “barriga” ou o “culote”. Quero saber sobre seu histórico de peso, gestações, nível de energia, digestão e qualidade do sono. A partir daí, nossa equipe entra em ação.
Nutricionistas e endocrinologistas parceiros avaliam seus exames e traçam um plano alimentar e de suplementação. O objetivo não é apenas “perder peso na balança”, mas trocar massa gorda por massa magra e nutrir o corpo. O músculo é um órgão endócrino que produz substâncias anti-inflamatórias. Quanto melhor sua massa muscular antes da cirurgia, melhor sua recuperação.
A importância da atividade física no pré-operatório
Muitas pacientes têm medo de se exercitar por causa das dores do Lipedema ou por vergonha do corpo. Minha abordagem é de incentivo e adaptação. Não prescrevo treinos – deixo isso para os profissionais de educação física – mas, como médica, prescrevo o movimento como remédio. Atividades de baixo impacto, exercícios na água, musculação supervisionada, pilates ou yoga são fundamentais.
O exercício melhora a circulação, reduz o risco de trombose (uma das maiores preocupações em qualquer cirurgia plástica) e ajuda a preparar a mente para o período de repouso relativo no pós-operatório.
Cirurgias reparadoras pós-emagrecimento e os pilares da saúde
Para pacientes que passaram por grandes emagrecimentos (seja por cirurgia bariátrica ou mudança de estilo de vida), os pilares da saúde são ainda mais críticos. Frequentemente, esses pacientes apresentam deficiências nutricionais (anemia, falta de vitaminas B12, D, proteínas) que podem ser desastrosas para a cicatrização de grandes incisões, como na abdominoplastia em âncora ou lifting de coxas.
Nesses casos, a cirurgia só é agendada quando os exames de sangue mostram que o “tanque de combustível” do corpo está cheio. Operar alguém com anemia ou proteínas baixas é aumentar o risco de deiscência (abertura dos pontos) e seromas. Minha prioridade é sempre a segurança. Às vezes, isso significa adiar a cirurgia em alguns meses para recuperar a saúde do paciente. E, acredite, todos que esperaram me agradecem depois ao verem uma recuperação tranquila.
O papel da tecnologia e da técnica cirúrgica
Uma vez que o corpo está preparado com os pilares da saúde, entro com a parte técnica. Formada pela Faculdade de Medicina da USP e com residência no Hospital das Clínicas, trago o rigor acadêmico para o centro cirúrgico. Utilizo técnicas refinadas de lipoaspiração e cirurgia de contorno corporal, respeitando a anatomia e os limites de segurança de retirada de gordura (geralmente entre 5% a 7% do peso corporal, conforme normas de segurança).
O uso de tecnologias para retração de pele é um grande aliado, especialmente no tratamento do Lipedema, onde a pele tende a ser mais frouxa devido à inflamação crônica. Essas tecnologias aplicam energia térmica controlada sob a pele para estimular colágeno. No entanto, lembre-se: para produzir colágeno, seu corpo precisa de aminoácidos, vitamina C, ferro e hidratação. Ou seja, voltamos aos pilares da saúde. A melhor tecnologia do mundo não funciona bem em um corpo desnutrido.
Por que escolher uma abordagem focada em saúde integral?
Escolher um cirurgião plástico é uma decisão de confiança. Ao optar por um profissional que valoriza a saúde integral e o estilo de vida, você está escolhendo alguém que se preocupa com você a longo prazo, e não apenas com a foto do “depois” imediato.
Meu compromisso é entregar o melhor resultado estético possível, dentro da realidade do seu corpo, mas, acima de tudo, garantir que você saia da cirurgia mais saudável do que entrou. A lipoaspiração pode ser o pontapé inicial para uma nova fase de vida, onde o autocuidado se torna rotina.
Se você busca um tratamento que une excelência técnica, franqueza absoluta sobre resultados e um cuidado humano que enxerga você por inteiro, convido você a conhecer meu trabalho. Seja na unidade Ibirapuera do Instituto Lipedema Brasil ou via telemedicina, estamos prontos para traçar o seu plano de tratamento.
Perguntas Frequentes (FAQ)
- Preciso emagrecer tudo antes da lipoaspiração?
- Não necessariamente “tudo”. O ideal é estar próximo do seu peso estável e saudável. A lipoaspiração é uma cirurgia de contorno corporal, não de emagrecimento. Se houver obesidade importante, o risco cirúrgico aumenta e o resultado estético é inferior. Nesses casos, focamos primeiro no tratamento clínico para redução de peso e inflamação antes de programar a cirurgia.
- O Lipedema pode voltar depois da cirurgia?
- O Lipedema é uma doença crônica e genética. A cirurgia remove as células doentes daquela região, e elas não voltam. Porém, se não houver controle do estilo de vida (pilares da saúde), as células de gordura restantes podem aumentar de volume e os sintomas inflamatórios podem retornar. O controle contínuo é essencial.
- Quanto tempo dura o preparo pré-operatório?
- Depende do estado inicial de cada paciente. Para algumas, 30 dias de ajustes na alimentação e suplementação são suficientes. Para outras, com quadros inflamatórios mais intensos ou anemia, podemos precisar de 3 a 6 meses. O tempo é o necessário para garantir a sua segurança.
- Homens também precisam desse preparo com pilares da saúde?
- Com certeza. A fisiologia da cicatrização e da inflamação é humana, independente do gênero. Homens que buscam lipoaspiração ou cirurgias pós-emagrecimento se beneficiam imensamente do controle inflamatório e metabólico prévio.
- A Dra. Juliana atende apenas Lipedema?
- Não. Embora tenha grande expertise e pioneirismo em Lipedema, realizo cirurgias plásticas estéticas (como lipoaspiração, abdominoplastia, mamoplastia) e reparadoras em pacientes sem a doença, sempre mantendo a mesma filosofia de segurança e preparo global.
Por que confiar neste conteúdo?
- Expertise Médica: Este artigo foi elaborado e revisado pela Dra. Juliana O. G. Reis (CRM-SP 120293 | RQE 47596), cirurgiã plástica formada pela USP, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e pioneira no tratamento cirúrgico do Lipedema no Brasil desde 2015.
- Bases Científicas: As informações seguem diretrizes da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) e protocolos de segurança da SBCP, além de evidências atuais sobre a fisiologia do Lipedema e inflamação crônica.
- Compromisso Ético: O conteúdo respeita as normas do Conselho Federal de Medicina (CFM), priorizando a educação em saúde e o alinhamento realista de expectativas, sem promessas de resultados inatingíveis.