Você já investiu em uma cirurgia plástica e, meses depois, sentiu que o resultado não se manteve como esperava? Ou está pesquisando sobre lipoaspiração e tratamento de lipedema, mas tem receio de passar por todo o processo cirúrgico e ver os incômodos retornarem? Essa é uma das dúvidas mais legítimas que escuto no consultório. Como cirurgiã plástica com foco em estilo de vida, aprendi que o centro cirúrgico é apenas parte da história: o que acontece antes e depois da cirurgia determina, em grande medida, a durabilidade e a qualidade daquilo que construímos juntas.
Neste artigo, quero conversar de forma sincera sobre por que a integração entre técnica cirúrgica e hábitos de vida faz diferença real nos resultados. Vou explicar como avalio cada caso, o que a ciência mostra sobre recuperação e manutenção, e por que essa abordagem é tão importante para pacientes com lipedema, para quem busca contorno corporal e para quem passou por grandes emagrecimentos.
O que significa ser uma cirurgiã plástica com foco em estilo de vida?
Antes de tudo, preciso deixar claro o meu posicionamento: sou cirurgiã plástica, formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), com residência em Cirurgia Geral e Cirurgia Plástica pelo Hospital das Clínicas. Minha especialidade é a cirurgia. O que faço é utilizar ferramentas da medicina do estilo de vida dentro da minha prática cirúrgica, porque percebi, ao longo de anos de consultório, que elas ampliam e prolongam os resultados que ofereço às minhas pacientes.
Na prática, isso quer dizer que não olho apenas para a gordura que será aspirada, para a pele que será redistribuída ou para a mama que será reposicionada. Olho para a pessoa inteira: como ela se alimenta, como dorme, se pratica atividade física, como lida com o estresse e quais são as suas expectativas. Todos esses fatores influenciam diretamente a cicatrização, a retração da pele, o edema pós-operatório e a manutenção do contorno ao longo do tempo.
Um resultado cirúrgico não é uma fotografia estática. Ele é dinâmico e convive com o corpo que continua vivendo, ganhando ou perdendo peso, envelhecendo e reagindo aos hábitos diários. Por isso, quando alinho a técnica cirúrgica aos pilares da medicina do estilo de vida, ofereço à paciente muito mais chance de preservar o que conquistamos na sala de cirurgia.
Por que os hábitos de vida influenciam a durabilidade da cirurgia plástica?
A cirurgia plástica remove ou reposiciona tecidos, mas não impede que o organismo continue respondendo àquilo que oferecemos a ele. Se uma paciente realiza uma lipoaspiração e, em seguida, retoma um padrão alimentar que favorece o ganho de peso e o sedentarismo, as células de gordura remanescentes em outras regiões podem aumentar de volume. O resultado, então, pode se distorcer com o tempo.
Existem alguns pontos concretos em que o estilo de vida atua diretamente sobre o resultado cirúrgico:
- Cicatrização: uma alimentação adequada em proteínas, vitaminas e boa hidratação favorece a reparação dos tecidos. O tabagismo, por outro lado, compromete a circulação e prejudica a recuperação.
- Controle do edema: movimentação orientada e cuidados pós-operatórios reduzem o inchaço, o que acelera a percepção do resultado final.
- Manutenção do contorno: a estabilidade do peso após a cirurgia é determinante para preservar as proporções alcançadas.
- Qualidade da pele: hábitos saudáveis contribuem para a firmeza e a elasticidade da pele, o que favorece a retração após a remoção de gordura.
É por isso que, no meu atendimento, converso sobre esses temas antes mesmo de discutir datas de cirurgia. Não como imposição, mas como parte do plano terapêutico. A atividade física, por exemplo, é fundamental na preparação e na recuperação. Não indico uma modalidade única, porque cada corpo tem suas necessidades e limitações. O importante é que o movimento seja regular e adaptado à realidade de cada paciente.
Como o estilo de vida se conecta ao tratamento do lipedema?
No caso do lipedema, essa conexão é ainda mais evidente. Fui uma das primeiras médicas a realizar a cirurgia de lipedema no Brasil, em 2015, junto com o Dr. Fábio Kamamoto. Desde então, acompanho de perto a evolução do conhecimento sobre essa condição, que ainda é muito subdiagnosticada.
Um ponto que gosto de esclarecer é que o lipedema não é uma doença do tecido adiposo isoladamente. É uma doença do tecido conjuntivo, na qual o tecido adiposo é um dos principais acometidos. Isso significa que não estamos lidando apenas com um acúmulo maior de gordura: há mais inflamação, mais fibrose, mais flacidez, maior frouxidão ligamentar e um risco aumentado de complicações ortopédicas. Compreender essa complexidade é essencial para entender por que o tratamento precisa ser amplo.
Não existe tratamento mágico para o lipedema e tampouco um único tratamento altamente eficaz. O que existe são diversas intervenções que, somadas, podem trazer um resultado muito bom. Justamente por isso, o acompanhamento com alguém que compreenda profundamente o tema faz tanta diferença: é possível montar um plano com opções que façam sentido para cada paciente.
A dor é o sintoma mais comum, presente em cerca de 86% das pacientes. Isso significa que existe lipedema sem dor em aproximadamente 14% dos casos. A ausência de dor não exclui o diagnóstico, mas é preciso haver sintomas: pacientes com distribuição desproporcional de gordura, porém sem qualquer sintoma, não são portadoras de lipedema. Esse tipo de detalhe reforça a importância de uma avaliação criteriosa.
A cirurgia resolve sozinha o lipedema?
Essa é uma pergunta que respondo com muita franqueza: a cirurgia é uma ferramenta poderosa no tratamento do lipedema, mas não é a única e não age isolada. A lipoaspiração específica para lipedema remove o tecido adiposo doente e pode aliviar significativamente os sintomas. Com o tratamento adequado, muitas vezes é possível conviver com menos dor e mais qualidade de vida. Contudo, o cuidado com o estilo de vida é o que sustenta esse benefício ao longo do tempo.
É importante entender também a relação entre lipedema e obesidade. São doenças diferentes: uma não se transforma na outra. Entretanto, é extremamente frequente que coexistam. O acúmulo de gordura do lipedema e os sintomas associados, como dor e sensação de peso nas pernas, podem levar a deformidades e a maior sedentarismo, o que pode favorecer o ganho de peso. O risco metabólico do lipedema tende a ser menor do que o da obesidade isolada; porém, quando há obesidade associada, o risco passa a ser o da obesidade.
Vale ainda desfazer um mito: o lipedema não é uma condição exclusiva de mulheres com obesidade. Mulheres magras podem, sim, ter lipedema, e muitas vezes são extremamente sintomáticas. O ganho de peso não é condição necessária para o diagnóstico. Em homens, a condição é extremamente rara e geralmente está associada a problemas hormonais ou a outras patologias. Trata-se, portanto, de uma condição predominantemente feminina.
Ao avaliar a pele das minhas pacientes, considero recursos de retração cutânea quando indicados, pois a flacidez é um componente relevante no lipedema. Utilizo tecnologias voltadas para a retração de pele, sempre selecionadas de acordo com a necessidade individual de cada caso.
O que a abordagem multidisciplinar traz de diferente?
Como diretora clínica da unidade Ibirapuera do Instituto Lipedema Brasil, tenho o privilégio de trabalhar com uma equipe multidisciplinar. Isso significa que a paciente não caminha sozinha em nenhuma etapa. O acompanhamento envolve suporte nutricional, endocrinológico e cirúrgico, de forma coordenada.
Essa integração é o que permite, na prática, aplicar os pilares da medicina do estilo de vida com consistência. De nada adianta orientar mudanças de hábitos sem oferecer estrutura para que a paciente as sustente. Por isso, os planos de acompanhamento pré e pós-operatório são pensados para preparar o corpo antes da cirurgia e proteger o resultado depois dela.
A unidade Ibirapuera está localizada em São Paulo, próxima ao aeroporto de Congonhas, o que facilita bastante o acesso de pacientes que vêm de todo o país. Além do atendimento presencial, ofereço acompanhamento por telemedicina, o que me permite orientar pacientes de diferentes regiões do Brasil e do exterior nas etapas em que a distância não é impeditivo.
Como o alinhamento de expectativas protege a paciente?
Um dos pilares mais importantes do meu trabalho é a sinceridade. Não faço promessas de corpos perfeitos nem de resultados garantidos, porque isso seria desonesto com quem confia em mim. Prefiro discutir abertamente os prós, os contras e as limitações de cada procedimento.
Quando uma paciente entende com clareza o que a cirurgia pode e o que não pode oferecer, ela toma uma decisão mais segura e vive a recuperação com menos frustração. O alinhamento de expectativas não é um detalhe: é parte fundamental do resultado. Uma expectativa realista, aliada a bons hábitos, quase sempre gera maior satisfação do que uma expectativa inflada seguida de decepção.
Essa transparência também vale para questões práticas. No caso do lipedema, por exemplo, muitas pacientes perguntam sobre a cobertura dos planos de saúde. O lipedema foi reconhecido como doença pelo CID-11, o código internacional de doenças. Contudo, os convênios remuneram procedimentos, e o procedimento em questão é a lipoaspiração, que ainda não consta no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), responsável por regulamentar o que deve ser coberto. Por isso, até o momento, os convênios não cobrem essa cirurgia. Prefiro que a paciente saiba disso desde o início.
Contorno corporal e cirurgias reparadoras: o mesmo princípio se aplica
O raciocínio que aplico ao lipedema se estende às cirurgias estéticas e reparadoras. Na lipoaspiração de braços e coxas, na lipoescultura, nas cirurgias de mama e de abdômen, o resultado se mantém melhor quando há estabilidade de peso e hábitos consistentes.
Para quem passou por grandes emagrecimentos, o contorno corporal pós-emagrecimento tem particularidades importantes. A pele frequentemente apresenta flacidez acentuada, e o planejamento cirúrgico precisa considerar tanto a remoção do excesso quanto a qualidade dos tecidos. Nesses casos, a manutenção do peso alcançado e o cuidado nutricional adequado são decisivos para que o resultado da cirurgia reparadora da barriga e da mama se sustente ao longo dos anos.
Em todos esses cenários, a atividade física orientada e a alimentação equilibrada não são acessórios: são parte da estratégia. Não se trata de exigir perfeição, e sim de construir, junto com a paciente, uma rotina possível e sustentável. É essa construção conjunta que transforma um bom resultado imediato em um bom resultado duradouro.
Presencial ou online: qual é o melhor caminho para começar?
Muitas pacientes que me procuram vivem longe de São Paulo e ficam em dúvida sobre como iniciar. A consulta online é uma excelente porta de entrada para uma primeira avaliação, para tirar dúvidas e para entender as possibilidades de tratamento. Ela permite que a paciente conheça minha abordagem e comece a planejar os próximos passos sem precisar viajar logo de início.
O momento cirúrgico, naturalmente, exige avaliação presencial, exame físico detalhado e o suporte da equipe multidisciplinar na unidade Ibirapuera. A combinação entre telemedicina e atendimento presencial oferece flexibilidade sem abrir mão da segurança e do cuidado que cada etapa demanda.
Por que confiar neste conteúdo?
Este artigo foi redigido com base em diretrizes reconhecidas e revisado por mim, buscando garantir informações seguras, realistas e alinhadas às boas práticas da cirurgia plástica moderna. As referências que fundamentam esta abordagem incluem:
- Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP);
- Orientações da American Society of Plastic Surgeons (ASPS) e da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS);
- Protocolos clínicos do Instituto Lipedema Brasil;
- Publicações científicas sobre lipedema e contorno corporal disponíveis em bases como PubMed e SciELO;
- Materiais de referência da Lipedema Foundation;
- Formação e residência médica pelo Hospital das Clínicas da USP.
Somam-se a essas bases a minha experiência prática como cirurgiã plástica formada pela USP, o pioneirismo na cirurgia de lipedema no Brasil desde 2015 e a atuação como diretora clínica da unidade Ibirapuera do Instituto Lipedema Brasil. Sou eu, Dra. Juliana Reis (CRM-SP 120293 | RQE 47596), quem assina e revisa estas informações.
Perguntas frequentes
Os resultados da lipoaspiração são permanentes?
A lipoaspiração remove células de gordura de determinadas regiões, e essas células não retornam. Contudo, as células remanescentes em outras áreas podem aumentar de volume caso haja ganho de peso. Por isso, a manutenção de hábitos saudáveis é fundamental para preservar o contorno alcançado.
Mulheres magras podem ter lipedema?
Sim. O lipedema não é uma condição exclusiva de mulheres com obesidade. Mulheres magras podem apresentar a doença e muitas vezes são bastante sintomáticas. O ganho de peso não é condição necessária para o diagnóstico.
A cirurgia de lipedema elimina a dor completamente?
A cirurgia pode reduzir de forma significativa a dor e melhorar a qualidade de vida. Com o tratamento adequado, muitas vezes é possível conviver com menos dor. Ainda assim, os resultados variam de paciente para paciente, e o acompanhamento contínuo é importante.
Preciso mudar meus hábitos antes da cirurgia?
Sempre que possível, a preparação com bons hábitos alimentares, atividade física orientada e cuidado com o sono e o estresse favorece a recuperação e a durabilidade do resultado. Esse preparo é parte do plano de tratamento que construímos em conjunto.
O plano de saúde cobre a cirurgia de lipedema?
Até o momento, os convênios não cobrem a lipoaspiração para lipedema, pois o procedimento ainda não consta no rol da ANS, apesar de o lipedema ser reconhecido como doença pelo CID-11.
É possível iniciar o tratamento à distância?
Sim. A consulta por telemedicina é uma boa forma de realizar a avaliação inicial, esclarecer dúvidas e planejar os próximos passos. A etapa cirúrgica, no entanto, exige avaliação presencial na unidade Ibirapuera.
Conclusão
Ao longo dos meus anos de consultório, tornou-se cada vez mais claro que a excelência técnica na cirurgia plástica ganha muito mais valor quando caminha lado a lado com o cuidado integral da paciente. O bisturi resolve uma parte importante do problema, mas é o conjunto — planejamento cirúrgico, alinhamento de expectativas, acompanhamento multidisciplinar e hábitos de vida sustentáveis — que faz o resultado durar.
Se você busca um tratamento para lipedema, deseja melhorar o contorno corporal ou precisa de cirurgias reparadoras após grande emagrecimento, e valoriza uma abordagem honesta e centrada na sua saúde, convido você a agendar uma avaliação comigo, presencial na unidade Ibirapuera do Instituto Lipedema Brasil, em São Paulo, ou por telemedicina. Vamos conversar com transparência e traçar, juntas, o melhor plano para o seu caso.