Você já saiu de uma consulta com a sensação de que ouviu apenas o que gostaria de ouvir? Muitas pacientes chegam ao meu consultório depois de percorrerem uma verdadeira maratona em busca de respostas, seja pelas dores e pelo peso constante nas pernas que nenhuma dieta parece resolver, seja pelo desejo legítimo de melhorar o contorno do corpo. No entanto, há um receio comum: o medo de promessas estéticas que não condizem com a realidade. É justamente por isso que acredito que as cirurgias estéticas e reparadoras só começam de forma segura quando existe algo raro e valioso na relação entre médico e paciente: a franqueza absoluta.
Ao longo dos meus anos como cirurgiã plástica, aprendi que a primeira coisa a fazer em qualquer avaliação não é medir, marcar ou fotografar, mas ouvir ativamente a história de quem está à minha frente. A sinceridade não é o oposto do acolhimento; ela é a forma mais profunda de respeito que posso oferecer. Neste artigo, quero explicar por que a transparência médica deve vir antes do bisturi e como isso protege a sua saúde e o seu resultado.
Por que a franqueza médica é tão importante antes de uma cirurgia?
A decisão de realizar uma cirurgia plástica é, muitas vezes, um marco na vida de uma pessoa. Envolve expectativas emocionais, financeiras e físicas. Quando o profissional deixa de ser honesto sobre os prós, os contras e, principalmente, os limites reais de um procedimento, ele transfere para a paciente um risco que não deveria existir: o da frustração após um resultado que jamais foi possível de alcançar.
Ser franca significa explicar que a cirurgia plástica tem um enorme poder de transformação, mas que ela não é mágica. Cada corpo possui características próprias: qualidade de pele, elasticidade dos tecidos, distribuição de gordura, histórico de saúde e capacidade de cicatrização. Esses fatores conversam entre si e determinam até onde é possível chegar com segurança. Prometer um resultado idêntico ao de outra pessoa seria desonesto, porque nenhum corpo responde de maneira igual.
Prefiro que a paciente saia da minha sala talvez com menos entusiasmo momentâneo, mas com total clareza, do que empolgada com uma expectativa irreal. A confiança que se constrói na verdade é muito mais sólida do que a que nasce de uma promessa bonita.
O que significa alinhar expectativas de forma realista?
Alinhar expectativas é um dos momentos mais importantes da consulta. Isso não quer dizer diminuir sonhos, mas sim organizá-los dentro do que a medicina pode entregar com responsabilidade. Quando converso sobre um procedimento, faço questão de detalhar três pontos essenciais.
O primeiro é o que a cirurgia realmente pode fazer. O segundo é o que ela não pode fazer, ou seja, suas limitações naturais. O terceiro, e frequentemente esquecido, é o papel da própria paciente no resultado final. Uma cirurgia bem executada é apenas parte da equação; a recuperação, os hábitos e o estilo de vida completam o desfecho.
Gosto de dizer que o centro cirúrgico é o começo de um processo, e não o fim. Quando a expectativa está ancorada na realidade, a satisfação tende a ser muito maior, porque a paciente compreende cada etapa e participa ativamente dela. É por isso que valorizo tanto a escuta antes de qualquer decisão técnica.
Como o estilo de vida influencia o resultado das cirurgias estéticas e reparadoras?
Com a formação que recebi na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, percebi cedo que o sucesso estético e a recuperação estão profundamente ligados à saúde global do paciente. Por isso, como cirurgiã plástica, utilizo ferramentas da medicina do estilo de vida na minha prática clínica. Não se trata de substituir a cirurgia por hábitos, mas de potencializar e proteger o resultado dela.
A qualidade da alimentação, a prática regular de exercícios físicos, o sono e o controle de inflamações no corpo influenciam diretamente a cicatrização, a retração da pele e a estabilidade do resultado ao longo do tempo. Uma paciente que chega ao procedimento com hábitos mais equilibrados tende a se recuperar melhor e a manter o contorno alcançado por mais tempo.
Quando falo em exercícios, não indico uma modalidade única. O importante é que o movimento faça parte da rotina, respeitando a individualidade e a fase de recuperação de cada pessoa. Da mesma forma, não prescrevo dietas milagrosas. O que proponho é um cuidado integral, construído junto a uma equipe multidisciplinar, para que a cirurgia seja apenas uma das peças de um plano maior voltado à sua saúde.
Qual é a diferença entre cirurgia estética e cirurgia reparadora?
Essa é uma dúvida frequente e legítima. A cirurgia estética tem como objetivo principal aprimorar a harmonia e o contorno do corpo, como acontece na lipoaspiração de braços e coxas, na lipoescultura de alta performance e em procedimentos de mama. Já a cirurgia reparadora visa restaurar a forma e a função de uma região, sendo especialmente importante no contorno corporal pós-emagrecimento e em situações que envolvem excesso de pele após grandes perdas de peso.
Na prática, essas fronteiras nem sempre são rígidas. Muitas pacientes que passaram por processos intensos de emagrecimento buscam a cirurgia reparadora da barriga e da mama, por exemplo, com um forte componente estético envolvido. O que não muda, independentemente da categoria, é a necessidade de honestidade sobre cicatrizes, tempo de recuperação e resultados possíveis.
Nas cirurgias reparadoras pós-grandes emagrecimentos, a franqueza é ainda mais decisiva. É fundamental explicar que cicatrizes farão parte do resultado e que o objetivo é devolver conforto, funcionalidade e autoestima, e não criar uma imagem idealizada. Quem compreende isso desde o início vive a recuperação de maneira muito mais tranquila.
Como funciona o tratamento do lipedema e por que a sinceridade é essencial?
O lipedema é um tema que ocupa grande parte da minha rotina e no qual desenvolvi ampla experiência. Trata-se de uma condição predominantemente feminina, marcada por acúmulo desproporcional de gordura, geralmente nas pernas e nos braços, associado a sintomas como dor, sensação de peso e facilidade para desenvolver hematomas.
Um ponto que faço questão de esclarecer com toda a sinceridade: o lipedema não é uma doença apenas do tecido adiposo, mas sim uma doença do tecido conjuntivo, na qual a gordura é um dos principais tecidos acometidos. Isso significa que existe mais inflamação, mais fibrose, maior flacidez e maior frouxidão dos ligamentos, além de um risco aumentado de complicações ortopédicas ao longo do tempo.
Outro esclarecimento importante é que o lipedema e a obesidade são doenças diferentes. Uma não se transforma na outra, embora seja muito comum que coexistam. O peso nas pernas e a dor podem levar ao sedentarismo, o que pode favorecer o ganho de peso. Por isso, mulheres magras também podem ter lipedema e, muitas vezes, apresentam sintomas intensos. O lipedema não é, portanto, uma condição exclusiva de mulheres com obesidade. Em homens, essa condição é extremamente rara e geralmente está associada a problemas hormonais ou a outras patologias.
A dor é o sintoma mais comum, presente em cerca de 86% das pacientes. Isso significa que existe lipedema sem dor em aproximadamente 14% dos casos, e a ausência de dor não exclui o diagnóstico. Por outro lado, é preciso haver sintomas: a simples distribuição desproporcional de gordura, sem qualquer sintoma associado, não caracteriza a doença.
Existe um tratamento único e definitivo para o lipedema?
Aqui a franqueza é indispensável. Não existe tratamento mágico para o lipedema, tampouco um único tratamento altamente eficaz que resolva tudo isoladamente. O que existe é um conjunto de pequenas intervenções que, somadas, podem trazer um resultado muito bom. Essa é justamente a razão pela qual o acompanhamento com quem entende profundamente do tema faz tanta diferença: é possível construir opções que façam sentido para cada paciente.
O tratamento conservador para lipedema envolve cuidados clínicos, ajustes no estilo de vida, controle da alimentação e prática de exercícios físicos com atenção à intensidade, ao volume e à adaptação individual, evitando o alto impacto. Atividades como musculação, pilates, bicicleta, ioga, caminhadas e exercícios na água são excelentes opções, e a escolha deve respeitar a realidade de cada paciente.
A cirurgia de lipedema, realizada por meio da lipoaspiração, entra em cena em casos selecionados, quando há indicação adequada. Nessas situações, utilizo tecnologias voltadas à retração da pele para melhorar o resultado. Vale ressaltar, com transparência, que o lipedema foi reconhecido como doença pelo CID-11, mas a lipoaspiração ainda não integra o rol da Agência Nacional de Saúde. Por esse motivo, até o momento, os convênios não cobrem essa cirurgia.
Quem é o profissional ideal para realizar a cirurgia de lipedema?
O médico mais indicado para a cirurgia de lipedema é o cirurgião plástico com experiência específica nessa condição. Não basta dominar a técnica de lipoaspiração; é necessário compreender as particularidades da doença, reconhecer sinais como o sinal do garrote e conduzir todo o processo dentro de uma visão integral de saúde.
Fui uma das primeiras médicas a realizar a cirurgia de lipedema no Brasil, em 2015, ao lado do Dr. Fábio Kamamoto. Desde então, dediquei grande parte da minha trajetória a aprofundar o entendimento sobre essa condição e a oferecer um atendimento focado em pacientes com lipedema, sempre com equipe multidisciplinar envolvendo áreas nutricional, endocrinológica e cirúrgica.
Hoje atuo como diretora clínica da unidade Ibirapuera do Instituto Lipedema Brasil, um polo de excelência que oferece acompanhamento pré e pós-operatório estruturado. A unidade fica em São Paulo, próxima ao aeroporto de Congonhas, o que facilita o acesso de pacientes que vêm de todo o país. Além disso, atendo por telemedicina, o que permite acolher pacientes de diferentes regiões do Brasil e do exterior.
Como a equipe multidisciplinar torna o tratamento mais seguro?
Nenhum resultado consistente nasce de uma abordagem isolada. Tanto no tratamento do lipedema quanto nas cirurgias estéticas e reparadoras, a equipe multidisciplinar tem papel central. O trabalho conjunto com nutricionistas e endocrinologistas permite preparar a paciente antes do procedimento, cuidar da recuperação e sustentar os resultados a longo prazo.
Esse modelo de acompanhamento é o que torna possível ajustar alimentação e hábitos antes mesmo de pensarmos no centro cirúrgico. Quando a paciente chega à cirurgia com o corpo mais preparado e a mente alinhada às expectativas reais, tudo flui de forma mais segura e satisfatória. Essa integração de cuidados, presencial na unidade Ibirapuera ou por meio da telemedicina, é o coração da minha forma de trabalhar.
Por que confiar neste conteúdo?
Este artigo foi redigido com base em referências reconhecidas e revisado por mim, buscando oferecer informações seguras e realistas sobre cirurgia plástica e lipedema. As bases utilizadas incluem:
- Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP);
- Recomendações da American Society of Plastic Surgeons (ASPS);
- Protocolos do Instituto Lipedema Brasil;
- Publicações científicas indexadas em bases como PubMed e SciELO sobre lipedema e contorno corporal;
- Materiais de referência da Lipedema Foundation.
Essas fontes se conectam à minha formação pela Faculdade de Medicina da USP, às minhas residências em Cirurgia Geral e Cirurgia Plástica no Hospital das Clínicas da USP e à minha experiência como uma das pioneiras na cirurgia de lipedema no Brasil. O objetivo é garantir que as informações sigam protocolos médicos seguros e expectativas realistas.
Perguntas frequentes sobre franqueza médica e cirurgia plástica
A cirurgia plástica garante um resultado perfeito? Não. A cirurgia plástica pode transformar significativamente o contorno corporal, mas o resultado depende de fatores individuais, como qualidade da pele e cicatrização. Com o alinhamento adequado de expectativas, é possível alcançar resultados muito satisfatórios e seguros.
Mulheres magras podem ter lipedema? Sim. Embora o lipedema seja mais frequentemente associado à obesidade, mulheres magras podem apresentar a condição e, muitas vezes, com sintomas intensos. O ganho de peso não é condição necessária para o diagnóstico.
O plano de saúde cobre a cirurgia de lipedema? Até o momento, não. O lipedema foi reconhecido como doença pelo CID-11, porém a lipoaspiração, que é o procedimento indicado, ainda não integra o rol da Agência Nacional de Saúde. Por isso, os convênios não cobrem a cirurgia atualmente.
O tratamento do lipedema é apenas cirúrgico? Não. O tratamento conservador para lipedema, com ajustes no estilo de vida, alimentação e exercícios físicos, é fundamental. A cirurgia é indicada em casos selecionados e faz parte de um plano mais amplo de cuidado.
Posso ser acompanhada mesmo morando longe de São Paulo? Sim. Além do atendimento presencial na unidade Ibirapuera, ofereço acompanhamento por telemedicina, o que possibilita atender pacientes de todo o Brasil e do exterior.
Considerações finais
A franqueza médica não é apenas uma característica desejável; é uma condição essencial para que qualquer cirurgia estética ou reparadora seja verdadeiramente segura. Quando a paciente compreende o que é possível, o que não é e qual o seu papel no processo, ela toma decisões com liberdade e tranquilidade. É essa relação de confiança, construída na verdade e na escuta ativa, que persigo em cada consulta.
Se você busca excelência técnica unida ao cuidado real com a sua saúde global, ficarei honrada em avaliar o seu caso. Eu, Dra. Juliana Reis, atendo de forma presencial na unidade Ibirapuera do Instituto Lipedema Brasil e também por telemedicina. Agende a sua avaliação e vamos traçar juntas o melhor plano para o seu caso, com transparência do início ao fim. Dra. Juliana O. G. Reis – CRM-SP 120293 – RQE 47596.