Você já se sentiu perdida entre tantas promessas de corpos perfeitos e teve medo de tomar uma decisão importante sobre o seu corpo sem saber em quem confiar? Ou talvez conviva há anos com dores e peso nas pernas que nenhuma dieta parece resolver? Se você se identificou, quero começar dizendo que compreendo essa sensação. Sou Dra. Juliana Reis, cirurgiã plástica, e ao longo da minha trajetória aprendi que o primeiro passo de qualquer tratamento sério não é o bisturi, e sim a escuta atenta da sua história.
Neste artigo, quero compartilhar um pouco da minha formação, dos caminhos que percorri e, principalmente, da minha visão sobre o que é uma cirurgia plástica feita com responsabilidade. Meu objetivo não é convencer você a operar, mas ajudá-la a entender que existe um jeito mais honesto, seguro e humano de cuidar da estética e da saúde ao mesmo tempo.
Quem é a Dra. Juliana Reis e qual é a sua formação?
Minha história com a medicina começou de forma bastante estruturada. Formei-me na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) em 2005, uma das instituições de ensino médico mais respeitadas do país. Em seguida, realizei minha residência médica em Cirurgia Geral e, posteriormente, em Cirurgia Plástica pelo Hospital das Clínicas da USP.
Essa base me marcou profundamente. Aprendi cedo que ser cirurgiã plástica não significa apenas dominar técnicas operatórias, mas entender o corpo humano como um todo. Desde 2012, sou membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o que reforça meu compromisso de seguir diretrizes médicas atualizadas e éticas.
Ao longo dos anos, atuei intensamente em consultório particular, realizando cirurgias estéticas e reparadoras. Cada paciente que passou por mim contribuiu para moldar a médica que sou hoje: uma profissional que valoriza a excelência técnica, mas que se recusa a tratar o corpo como uma peça isolada da vida de quem o habita.
Como surgiu o interesse pelo tratamento do lipedema?
Um dos capítulos mais importantes da minha carreira começou em 2015. Naquele ano, fui uma das primeiras médicas a realizar cirurgia de lipedema no Brasil, ao lado do Dr. Fábio Kamamoto. Foi um momento de pioneirismo em uma área que, até então, era pouco compreendida no país.
O lipedema é uma doença que afeta majoritariamente mulheres e que, por muito tempo, foi confundida com obesidade ou simples “acúmulo de gordura”. Eu via chegar ao consultório pacientes que haviam passado por diversos profissionais sem receber um diagnóstico correto, ouvindo apenas que precisavam emagrecer. Essa frustração acumulada me motivou a estudar profundamente o tema.
Preciso esclarecer um ponto que considero fundamental: o lipedema não é uma doença do tecido adiposo isoladamente. Na verdade, trata-se de uma doença do tecido conjuntivo, no qual o tecido adiposo é um dos principais acometidos. Isso significa que não estamos falando apenas de mais células de gordura, mas de um quadro que envolve mais inflamação, mais fibrose, mais flacidez, maior frouxidão ligamentar e um risco aumentado de complicações ortopédicas.
Compreender essa complexidade mudou completamente a forma como conduzo o atendimento. Hoje, faço parte do corpo cirúrgico do Instituto Lipedema Brasil desde sua fundação, em 2021, e atuo como diretora clínica da unidade Ibirapuera, inaugurada em 2024. Essa unidade fica próxima ao aeroporto de Congonhas, o que facilita muito o acesso das pacientes que vêm de todo o país e do exterior.
O que significa ter uma visão realista da cirurgia plástica?
Se há algo que me define profissionalmente, é a sinceridade. Vivemos em uma época em que a estética é frequentemente vendida como uma solução mágica e imediata. Contudo, minha experiência me ensinou que expectativas irreais são a principal causa de frustração após uma cirurgia.
Por isso, quando uma paciente chega ao meu consultório, dedico tempo para explicar não apenas o que a cirurgia pode oferecer, mas também os seus limites. Falo abertamente sobre prós, contras e possíveis complicações. Prefiro que a decisão de operar seja tomada com total clareza, e não movida por promessas exageradas.
Ter uma visão realista significa entender que cada corpo responde de uma maneira, que a recuperação exige paciência e que o resultado final depende de fatores que vão muito além do centro cirúrgico. É um compromisso com a verdade, mesmo quando ela não é a resposta que a paciente gostaria de ouvir.
Por que o estilo de vida influencia tanto no resultado?
Ainda durante minha formação na USP, percebi que o sucesso de uma cirurgia plástica está profundamente conectado ao estilo de vida do paciente. Foi por isso que passei a utilizar ferramentas da medicina do estilo de vida na minha prática clínica como cirurgiã plástica.
Quero deixar claro o meu posicionamento: minha especialidade é a cirurgia plástica. A medicina do estilo de vida entra como um conjunto de ferramentas que enriquece o meu trabalho, ajudando a preparar o corpo antes da cirurgia e a manter os resultados depois dela. Alimentação equilibrada, sono de qualidade, controle do estresse e prática regular de exercícios físicos são pilares que impactam diretamente na recuperação e na longevidade do resultado estético.
Quando falo em exercícios, não indico uma modalidade única e universal. O que reforço é que a atividade física é fundamental e que ela precisa ser adaptada a cada pessoa. No caso das pacientes com lipedema, por exemplo, existe a necessidade de controlar a intensidade e o volume dos exercícios, avaliar a adaptação individual e evitar o alto impacto. Atividades na água são excelentes, mas definitivamente não são as únicas recomendadas: musculação, pilates, bicicleta, yoga e caminhadas também podem ser opções muito valiosas.
Como funciona o tratamento do lipedema na prática?
Uma das primeiras coisas que explico às minhas pacientes é que não existe tratamento mágico para o lipedema. Também não existe um único tratamento altamente eficaz que resolva tudo de uma vez. O que existe é um conjunto de pequenas intervenções que, somadas, podem trazer um resultado muito bom.
Justamente por isso, o acompanhamento com quem entende do tema faz tanta diferença. É essa proximidade que permite oferecer opções que realmente façam sentido para cada caso. O tratamento pode incluir medidas conservadoras, abordagem clínica e, em alguns casos, a cirurgia.
A cirurgia utilizada no tratamento do lipedema é a lipoaspiração, realizada com técnicas específicas. Em muitos casos, associo tecnologias voltadas para a retração da pele, o que contribui para um contorno mais harmônico. Vale destacar que, com o tratamento adequado, muitas vezes é possível reduzir significativamente as dores e melhorar a qualidade de vida, embora cada organismo responda de uma forma.
É importante lembrar que a dor é o sintoma mais comum do lipedema, presente em cerca de 86% das pacientes. Ou seja, existe lipedema sem dor em aproximadamente 14% dos casos. A ausência de dor não exclui o diagnóstico. Porém, é necessário que haja sintomas: uma pessoa com distribuição de gordura desproporcional, mas sem nenhum sintoma, não é portadora de lipedema.
Lipedema é o mesmo que obesidade?
Essa é uma das dúvidas mais frequentes, e a resposta é clara: não. Lipedema e obesidade são doenças diferentes, e uma não se transforma na outra. Entretanto, é extremamente comum que as duas coexistam.
O acúmulo de gordura característico do lipedema e os sintomas associados, como dor e sensação de peso nas pernas, podem gerar deformidades e favorecer o sedentarismo. Esses fatores, por sua vez, podem agravar o ganho de peso. Portanto, embora sejam condições distintas, elas frequentemente caminham juntas.
Quanto ao risco metabólico, ele tende a ser menor no lipedema isolado do que na obesidade. Contudo, quando há obesidade associada, o risco metabólico passa a ser o da obesidade. Por isso, avaliar o quadro completo de cada paciente é indispensável antes de qualquer decisão terapêutica.
Outro ponto que faço questão de esclarecer é que o lipedema não é uma condição exclusiva de mulheres com obesidade. Mulheres magras também podem ter lipedema e, muitas vezes, são extremamente sintomáticas. O ganho de peso não é uma condição necessária para o diagnóstico. Já em homens, o lipedema é extremamente raro, sendo uma condição predominantemente feminina; quando ocorre no sexo masculino, geralmente está associado a problemas hormonais ou a outras patologias.
O plano de saúde cobre a cirurgia de lipedema?
Essa é uma pergunta delicada e que exige transparência. O lipedema foi reconhecido como doença pelo CID-11, o código internacional de doenças. No entanto, os convênios pagam por procedimentos, e o procedimento em questão é a lipoaspiração.
Acontece que a lipoaspiração para tratamento do lipedema ainda não está no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que é o órgão responsável por regulamentar os procedimentos cobertos pelos convênios. Desse modo, até o momento, os planos de saúde não cobrem essa cirurgia. Prefiro informar isso de forma direta, para que você possa se planejar sem surpresas.
Além do lipedema, quais cirurgias você realiza?
Minha atuação como cirurgiã plástica é ampla. Além do tratamento do lipedema, atendo pacientes que buscam contorno corporal e resultados estéticos, sempre com o mesmo compromisso de sinceridade.
Realizo procedimentos como lipoaspiração de braços, pernas, coxas, joelhos, abdômen, flancos, papada e costas, além de lipoescultura. Também atuo em cirurgias de mama e cirurgias de abdômen, sempre alinhando o desejo estético à segurança do procedimento.
Um grupo especial de pacientes que acompanho é o das pessoas que passaram por grandes emagrecimentos. Após uma perda de peso intensa, é comum haver excesso de pele e alterações no contorno corporal. As cirurgias reparadoras da barriga e da mama, entre outras, ajudam a adequar esse contorno e a devolver conforto e autoestima. Nesses casos, o suporte técnico de excelência caminha lado a lado com o cuidado com a saúde global.
Como funciona o atendimento presencial e online?
Atendo pacientes de todo o Brasil e também do exterior. O atendimento presencial acontece na unidade Ibirapuera do Instituto Lipedema Brasil, em São Paulo, um polo de excelência que reúne uma equipe multidisciplinar preparada para acolher cada história.
Para quem mora longe, a telemedicina é uma ferramenta valiosa. Por meio das consultas online, consigo iniciar a avaliação, orientar sobre os próximos passos e acompanhar parte do processo à distância, garantindo que a distância geográfica não seja um obstáculo ao cuidado.
Acredito que o tratamento de excelência é aquele que envolve várias frentes. Por isso, ofereço um acompanhamento com equipe multidisciplinar, que pode incluir suporte nutricional, endocrinológico e cirúrgico, com planos de acompanhamento antes e depois da cirurgia. Esse cuidado integral é o que faz diferença tanto no resultado estético quanto na saúde geral.
Qual é o médico ideal para a cirurgia de lipedema?
Essa pergunta merece uma resposta objetiva. O profissional indicado para a cirurgia de lipedema é o cirurgião plástico com experiência na área de lipedema. Não basta dominar a técnica de lipoaspiração; é preciso compreender as particularidades dessa doença, que envolve tecido conjuntivo, inflamação e fibrose.
Por isso, ao buscar tratamento, procure sempre um profissional habilitado e com grande expertise na área de lipedema. A escolha do cirurgião certo é um dos fatores mais importantes para a sua segurança e para a qualidade do resultado.
Por que confiar neste conteúdo?
Este artigo foi redigido com base em diretrizes médicas reconhecidas e revisado por mim, Dra. Juliana O. G. Reis (CRM-SP 120293 | RQE 47596), garantindo que as informações sigam os protocolos mais seguros e realistas da cirurgia plástica moderna. As bases utilizadas incluem:
- Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP);
- Recomendações da American Society of Plastic Surgeons (ASPS) e da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS);
- Protocolos do Instituto Lipedema Brasil e informações da Lipedema Foundation;
- Diretrizes e experiência clínica desenvolvidas no Hospital das Clínicas da USP;
- Minha formação pela Faculdade de Medicina da USP e minha experiência como uma das pioneiras na cirurgia de lipedema no Brasil desde 2015.
Perguntas frequentes sobre a trajetória e a cirurgia plástica
1. A cirurgia plástica resolve sozinha o problema do lipedema?
Não. A cirurgia é uma das ferramentas do tratamento, mas os melhores resultados vêm da soma de várias intervenções, incluindo mudanças no estilo de vida e acompanhamento contínuo.
2. Mulheres magras podem ter lipedema?
Sim. O lipedema não é exclusivo de mulheres com obesidade. Mulheres magras podem ter a doença e, muitas vezes, apresentam sintomas significativos.
3. Homens podem desenvolver lipedema?
É extremamente raro. O lipedema é uma condição predominantemente feminina e, quando ocorre em homens, geralmente está associado a problemas hormonais ou a outras patologias.
4. O convênio cobre a cirurgia de lipedema?
Até o momento, não. Embora o lipedema seja reconhecido pelo CID-11, a lipoaspiração para seu tratamento ainda não faz parte do rol da ANS, por isso não é coberta pelos convênios.
5. É possível fazer o acompanhamento à distância?
Sim. Por meio da telemedicina, atendo pacientes de todo o Brasil e do exterior, iniciando a avaliação e orientando os próximos passos mesmo à distância.
6. Exercícios físicos são recomendados para quem tem lipedema?
Sim, os exercícios são fundamentais. No entanto, precisam ter intensidade e volume controlados, respeitar a adaptação individual e evitar o alto impacto.
Conclusão
Minha trajetória, iniciada na USP e construída ao longo de anos de cirurgia plástica e de pioneirismo no tratamento do lipedema, me ensinou que cuidar de um corpo é, antes de tudo, cuidar de uma pessoa por inteiro. É por isso que uno a excelência técnica da cirurgia plástica às ferramentas da medicina do estilo de vida, sempre com transparência sobre o que é possível alcançar.
Se você busca um atendimento que valorize a sua saúde, respeite a sua história e seja honesto quanto aos resultados, ficarei feliz em recebê-la. Agende sua avaliação presencial, na unidade Ibirapuera do Instituto Lipedema Brasil, em São Paulo, ou opte pela consulta online, de onde quer que você esteja. Vamos, juntas, traçar o melhor caminho para o seu caso, com segurança e cuidado real.