Você sente dores e peso constante nas pernas que nenhuma dieta resolve? Convive com hematomas que aparecem sem motivo aparente e com a sensação de que o seu corpo não responde aos esforços como deveria? Se essa descrição faz sentido para você, talvez esteja diante de um diagnóstico que ainda demora muito a chegar para a maioria das mulheres. Por isso, oferecer uma equipe multidisciplinar para tratamento de lipedema é, na minha prática como cirurgiã plástica, mais do que um diferencial: é a forma mais segura e honesta de cuidar de quem convive com essa condição todos os dias.
No meu consultório, a primeira coisa que faço é ouvir ativamente a sua história. Antes de falar em cirurgia, antes de qualquer plano, eu preciso entender como o lipedema afeta a sua rotina, o seu sono, o seu humor e a sua relação com o próprio corpo. É a partir dessa escuta que construímos, juntos, um caminho realista e seguro.
O que é o lipedema e por que ele exige um olhar tão cuidadoso?
O lipedema é uma doença crônica, predominantemente feminina, frequentemente confundida com sobrepeso ou retenção de líquidos. Por muito tempo, ele foi descrito apenas como um acúmulo de gordura nas pernas e braços. Hoje sabemos que essa visão é incompleta.
O lipedema não é uma doença do tecido adiposo isolado: ele é, na verdade, uma doença do tecido conjuntivo, em que o tecido gorduroso é um dos principais afetados. Isso muda completamente a forma como entendemos a condição. Não estamos falando apenas de mais células de gordura, e sim de um conjunto de alterações que incluem maior inflamação, fibrose, flacidez, frouxidão dos ligamentos e um risco aumentado de complicações ortopédicas ao longo dos anos.
Essa complexidade é exatamente o motivo pelo qual o lipedema não pode ser tratado de forma simplista. Não existe um único remédio, uma única dieta ou uma única cirurgia que resolva tudo. O que existe são várias intervenções menores que, somadas, podem trazer um resultado muito bom para a qualidade de vida. E é justamente por isso que o acompanhamento com profissionais que realmente compreendem o tema faz tanta diferença.
Por que o lipedema precisa de uma equipe multidisciplinar?
Quando falo em equipe multidisciplinar, não estou usando uma expressão de propaganda. Estou descrevendo a estrutura que considero indispensável para tratar uma doença que tem múltiplas faces.
O lipedema envolve dor, alterações de mobilidade, impacto emocional, riscos metabólicos quando associado à obesidade e, em muitos casos, a necessidade de intervenção cirúrgica. Nenhum profissional, sozinho, dá conta de todos esses aspectos com a profundidade que o paciente merece.
Por isso, na unidade Ibirapuera do Instituto Lipedema Brasil, o atendimento integra diferentes áreas que trabalham de forma coordenada:
- Cirurgia plástica: a avaliação cirúrgica criteriosa, indicando se e quando a lipoaspiração específica para lipedema faz sentido para o seu caso.
- Nutrição: orientação alimentar voltada ao controle da inflamação e à saúde global, sem fórmulas mágicas.
- Endocrinologia: investigação e manejo de questões metabólicas e hormonais que frequentemente caminham junto.
- Acompanhamento do estilo de vida: suporte para a construção de hábitos sustentáveis, incluindo atividade física orientada.
Como cirurgiã plástica formada pela Faculdade de Medicina da USP, percebi cedo na minha trajetória que o resultado de uma cirurgia não depende apenas do que acontece no centro cirúrgico. Ele está profundamente ligado ao estilo de vida do paciente, tanto antes quanto depois do procedimento. Por isso, utilizo ferramentas e pilares da medicina do estilo de vida na minha rotina como cirurgiã, sempre como apoio à conduta cirúrgica, e nunca como substituta dela.
A cirurgia de lipedema cura a doença?
Esta é uma das perguntas que mais ouço, e respondo com a maior sinceridade possível: a cirurgia não cura o lipedema. O lipedema é uma condição crônica, e nenhum procedimento elimina a doença por completo. O que a cirurgia faz, quando bem indicada, é remover o tecido doente, reduzir a dor, melhorar o contorno corporal e devolver mobilidade e qualidade de vida.
A lipoaspiração específica para lipedema é diferente da lipoaspiração estética tradicional. Ela exige técnica apropriada, conhecimento da doença e cuidado para preservar estruturas como vasos linfáticos. Fui uma das primeiras médicas a realizar esse tipo de cirurgia no Brasil, em 2015, ao lado do Dr. Fábio Kamamoto. Desde então, acompanho de perto a evolução das técnicas e tecnologias disponíveis.
Em alguns casos, utilizo tecnologias voltadas para a retração de pele, especialmente em pacientes com maior flacidez. Essas ferramentas ajudam a melhorar o resultado final, mas é importante entender que cada caso é avaliado individualmente. O que funciona muito bem para uma paciente pode não ser a melhor escolha para outra.
Por isso, alinho expectativas de forma extremamente clara desde a primeira consulta. Discuto prós, contras e limites reais do procedimento, porque quero que a sua decisão seja consciente e segura. Com o tratamento adequado, muitas vezes é possível viver com muito menos dor e mais liberdade de movimento, mas isso depende de um plano construído com responsabilidade.
Lipedema é só uma questão de peso?
Não. Essa é uma das maiores confusões que prejudicam o diagnóstico. O lipedema e a obesidade são doenças diferentes. Uma não se transforma na outra. No entanto, é extremamente comum que as duas coexistam.
A própria sintomatologia do lipedema, com dor, peso nas pernas e dificuldade de movimentação, pode levar ao sedentarismo, o que favorece o ganho de peso ao longo do tempo. Quando a obesidade está associada, o risco metabólico passa a ser o da obesidade. Já quando o lipedema aparece de forma isolada, o risco metabólico tende a ser menor.
Também é fundamental desfazer outro mito: o lipedema não é exclusivo de mulheres com obesidade. Mulheres magras podem ter lipedema, e muitas vezes são extremamente sintomáticas. O ganho de peso não é uma condição necessária para o diagnóstico. Em homens, a condição é extremamente rara e, quando ocorre, geralmente está associada a problemas hormonais ou outras patologias.
Toda paciente com lipedema sente dor?
A dor é, sem dúvida, o sintoma mais comum do lipedema, mas ela não está presente em todos os casos. Estudos indicam que cerca de 86% das pacientes apresentam dor, o que significa que aproximadamente 14% convivem com lipedema sem dor. A ausência de dor, portanto, não exclui o diagnóstico.
Por outro lado, é importante destacar que precisa haver algum sintoma. A simples distribuição desproporcional de gordura, sem qualquer outro sinal ou sintoma, não caracteriza lipedema. Sinais clínicos como o sinal do garrote, a sensibilidade ao toque e a facilidade para formar hematomas ajudam a compor o quadro. Esse é mais um motivo pelo qual o diagnóstico deve ser feito por quem tem experiência na área de lipedema, evitando tanto o subdiagnóstico quanto diagnósticos equivocados.
Como o tratamento conservador entra nesse cuidado?
Nem todo caso de lipedema exige cirurgia, e mesmo quando a cirurgia é indicada, o tratamento conservador continua sendo parte essencial do cuidado. Não existe tratamento mágico para o lipedema, e também não existe um único tratamento altamente eficaz. O que existe é a combinação de várias pequenas intervenções que, juntas, melhoram significativamente o bem-estar.
Entre essas medidas estão a orientação nutricional voltada ao controle da inflamação, o uso de meias de compressão quando indicado, terapias específicas e, de forma central, a prática regular de exercícios físicos.
Os exercícios são fundamentais no manejo do lipedema. Porém, eles precisam respeitar algumas premissas: controle de intensidade, controle do volume, avaliação da adaptação individual e atenção para evitar o alto impacto. Atividades na água são excelentes, mas definitivamente não são as únicas recomendadas. Musculação, pilates, bicicleta, ioga e caminhadas também são ótimas opções. O mais importante é que a atividade seja sustentável e adequada à sua realidade, sempre com acompanhamento profissional.
O plano de saúde cobre a cirurgia de lipedema?
Essa é uma dúvida muito frequente e merece uma resposta transparente. O lipedema foi reconhecido como doença pelo CID-11, o código internacional de doenças. No entanto, os convênios pagam por procedimentos, e o procedimento envolvido no tratamento cirúrgico é a lipoaspiração, que ainda não consta no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar, órgão que regulamenta os procedimentos cobertos pelos planos.
Portanto, até o momento, os convênios não cobrem essa cirurgia. Prefiro deixar essa informação clara desde o início, para que você possa se planejar com segurança e sem surpresas ao longo do processo.
E quem busca contorno corporal ou cirurgias reparadoras?
Embora eu tenha grande experiência na área de lipedema, meu trabalho como cirurgiã plástica abrange também as queixas estéticas e reparadoras. Atendo pacientes interessados em lipoaspiração de braços e coxas, lipoescultura, cirurgias de mama e cirurgia de abdômen, além de cirurgias reparadoras para quem passou por grandes processos de emagrecimento.
Nesses casos, o princípio é o mesmo: sinceridade e foco na saúde global. Não trabalho com a venda de corpos perfeitos nem com promessas estéticas irreais. O contorno corporal pós-emagrecimento, por exemplo, exige avaliação cuidadosa da pele, do estado nutricional e da expectativa de cada pessoa.
Acredito que uma boa cirurgia plástica começa com uma conversa honesta. É por isso que dedico tempo a explicar o que é possível alcançar e o que está além do que a técnica oferece. Quando o paciente entende os limites reais, a satisfação com o resultado tende a ser muito maior.
Como funciona o atendimento presencial e online?
O cuidado com o lipedema e com o contorno corporal não precisa estar restrito a quem mora perto. Atendo presencialmente na unidade Ibirapuera do Instituto Lipedema Brasil, em São Paulo. A unidade está localizada próxima ao Aeroporto de Congonhas, o que facilita muito o acesso de pacientes que vêm de todas as regiões do Brasil.
Além disso, utilizo a telemedicina para receber pacientes de todo o país e do exterior. As consultas online permitem uma primeira avaliação, o esclarecimento de dúvidas e o início do planejamento do cuidado, especialmente importante para quem precisa se organizar antes de viajar para uma avaliação presencial ou cirurgia.
O acompanhamento pré e pós-operatório, tanto presencial quanto à distância, é parte central desse modelo. Cuidar do paciente apenas no dia da cirurgia seria oferecer metade do tratamento. A recuperação, o ajuste de hábitos e o suporte multidisciplinar fazem toda a diferença no resultado a longo prazo.
Qual é o médico ideal para tratar o lipedema?
O profissional mais indicado para a cirurgia de lipedema é o cirurgião plástico com experiência específica na doença. Isso porque a técnica exige conhecimento aprofundado tanto da cirurgia quanto das particularidades do lipedema. Idealmente, esse cirurgião deve atuar dentro de uma estrutura multidisciplinar, na qual nutrição, endocrinologia e acompanhamento do estilo de vida caminham lado a lado com a conduta cirúrgica.
É exatamente esse o modelo que defendo e pratico. Acredito que tratar o lipedema é tratar a pessoa por inteiro, e não apenas a região afetada.
Por que confiar neste conteúdo?
Este artigo foi redigido com base nas diretrizes da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e revisado por mim, garantindo que as informações sigam os protocolos médicos mais seguros e realistas da cirurgia plástica moderna. As referências utilizadas incluem:
- Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP);
- Publicações da American Society of Plastic Surgeons (ASPS);
- Materiais e pesquisas da Lipedema Foundation;
- Protocolos clínicos do Instituto Lipedema Brasil;
- Diretrizes assistenciais alinhadas à formação no Hospital das Clínicas da USP.
Essas bases científicas se somam à minha experiência prática como cirurgiã plástica e à minha atuação pioneira na cirurgia de lipedema desde 2015, sempre com foco na segurança, na transparência e na saúde integral do paciente.
Perguntas frequentes sobre o tratamento de lipedema
O lipedema tem cura?
Não. O lipedema é uma condição crônica. O tratamento, conservador e cirúrgico, busca controlar os sintomas, reduzir a dor e melhorar a qualidade de vida, e não eliminar a doença definitivamente.
É possível ter lipedema sendo magra?
Sim. Mulheres magras podem ter lipedema e, muitas vezes, são bastante sintomáticas. O ganho de peso não é necessário para o diagnóstico.
A cirurgia de lipedema é puramente estética?
Não. A lipoaspiração específica para lipedema tem finalidade terapêutica, removendo o tecido doente para aliviar a dor e melhorar a mobilidade. O ganho estético é uma consequência, não o objetivo principal.
Preciso fazer cirurgia obrigatoriamente?
Não necessariamente. Muitos casos são manejados com tratamento conservador. A cirurgia é avaliada individualmente, de acordo com os sintomas e o estágio da doença.
O exercício físico piora o lipedema?
Pelo contrário. A atividade física é fundamental no tratamento, desde que respeite o controle de intensidade e de volume e evite o alto impacto, sempre com orientação profissional.
Conclusão
O lipedema é uma doença complexa, que vai muito além da estética, e merece um cuidado igualmente completo. Tratar essa condição exige diagnóstico preciso, alinhamento honesto de expectativas e o apoio de diferentes áreas trabalhando em conjunto. É essa combinação de excelência técnica em cirurgia plástica com as ferramentas da medicina do estilo de vida que oriento na minha prática.
Se você convive com dores, peso nas pernas ou busca melhorar o contorno corporal com segurança e sinceridade, eu, Dra. Juliana Reis (https://drajulianareis.com.br), e a equipe da unidade Ibirapuera estamos prontas para acolher a sua história. Agende a sua avaliação presencial ou online e vamos traçar, juntos, o melhor plano para o seu caso. Dra. Juliana O. G. Reis – CRM-SP 120293 – RQE 47596.