Você sente dores e peso constante nas pernas que nenhuma dieta parece resolver? Convive com hematomas que aparecem com facilidade, sensação de cansaço e uma desproporção entre a parte de cima e a parte de baixo do corpo que insiste em permanecer, mesmo quando você emagrece? Se você se identificou com essas queixas, talvez esteja diante de uma condição chamada lipedema. E o primeiro passo para entender o que acontece com o seu corpo é buscar uma avaliação cuidadosa. O tratamento para lipedema não começa no centro cirúrgico: ele começa quando alguém realmente escuta a sua história, examina o seu corpo com atenção e organiza um plano que faça sentido para a sua realidade.
No meu consultório, em São Paulo, a primeira coisa que faço é ouvir ativamente cada paciente. Antes de falar em qualquer intervenção, preciso compreender quanto a doença interfere na sua rotina, nas suas dores e na sua autoestima. É a partir dessa conversa franca que conseguimos traçar um caminho seguro, realista e, acima de tudo, voltado para a sua saúde como um todo.
O que é o lipedema e por que ele costuma ser confundido com obesidade?
O lipedema é uma doença crônica que, durante muitos anos, foi mal compreendida e frequentemente confundida com sobrepeso ou simples acúmulo de gordura localizada. Ao contrário do que se pensava, ele não é apenas uma questão de “ter mais células de gordura”. Trata-se de uma doença do tecido conjuntivo, na qual o tecido adiposo é um dos principais acometidos, mas não o único.
Isso significa que, além do aumento de gordura em regiões específicas (como pernas, coxas, joelhos e braços), existe um quadro de inflamação, fibrose, flacidez e frouxidão ligamentar. Há também um risco maior de complicações ortopédicas ao longo do tempo, justamente pela sobrecarga e pelas alterações que a doença provoca nas estruturas de sustentação do corpo.
Outro ponto importante: lipedema e obesidade são doenças diferentes. Uma não se transforma na outra. Contudo, é extremamente comum que coexistam. O acúmulo de gordura típico do lipedema e os sintomas associados, como dor e peso nas pernas, podem levar ao sedentarismo, o que, por sua vez, pode contribuir para o ganho de peso. São condições distintas, mas que, frequentemente, caminham juntas e precisam ser avaliadas em conjunto.
Quais são os sintomas que indicam a necessidade de avaliação?
A dor é o sintoma mais comum do lipedema, mas é importante esclarecer que ela não está presente em todos os casos. Estima-se que cerca de 86% das pacientes relatem dor, o que significa que existe lipedema sem dor em aproximadamente 14% dos casos. Portanto, a ausência de dor não exclui o diagnóstico.
Por outro lado, é preciso que existam sintomas. Uma pessoa que apenas apresenta distribuição de gordura desproporcional, mas sem nenhuma queixa, não é necessariamente portadora de lipedema. Entre os sinais que costumam motivar a busca por avaliação, destaco:
- Sensação de peso e cansaço nas pernas, mesmo em repouso;
- Dor ao toque ou pressão nas regiões acometidas;
- Facilidade para desenvolver hematomas;
- Desproporção entre tronco e membros, que não melhora com perda de peso;
- O chamado sinal do garrote, em que há um degrau perceptível na altura dos tornozelos ou punhos, já que pés e mãos costumam ser poupados.
Um equívoco que ainda circula é a ideia de que o lipedema seria exclusivo de mulheres com obesidade. Isso não é verdade. Mulheres magras também podem ter lipedema e, muitas vezes, são extremamente sintomáticas. O ganho de peso não é uma condição necessária para o diagnóstico. Vale ainda mencionar que, embora seja raríssimo, o lipedema pode ocorrer em homens, em geral associado a alterações hormonais ou a outras patologias. Trata-se, porém, de uma condição predominantemente feminina.
Existe um único tratamento eficaz para o lipedema?
Preciso ser sincera com você desde o início: não existe tratamento mágico para o lipedema e tampouco um único tratamento isolado que resolva tudo. O que existe são várias intervenções que, somadas e bem coordenadas, podem trazer um resultado muito bom. É justamente por isso que o acompanhamento com profissionais que compreendam profundamente a doença faz tanta diferença. Cada paciente é única, e o plano precisa respeitar essa individualidade.
De forma geral, o tratamento conservador para lipedema reúne medidas que ajudam a controlar os sintomas e a progressão da doença. Entre elas estão o cuidado com a alimentação, a prática regular de exercícios físicos, terapias específicas para o sistema linfático e o uso de recursos que auxiliam no manejo do inchaço e da dor. Esses pilares são fundamentais e, em muitos casos, devem ser mantidos mesmo quando a cirurgia é indicada.
Sobre os exercícios, faço questão de orientar com cuidado. A atividade física é parte essencial do tratamento, mas precisa ter controle de intensidade e de volume, além de respeitar a adaptação individual de cada paciente. O ideal é evitar atividades de alto impacto. Exercícios na água são excelentes, mas definitivamente não são as únicas opções. Musculação, pilates, bicicleta, yoga e caminhadas também são alternativas muito válidas. O importante é que o corpo se movimente de forma orientada e segura.
Quando a cirurgia de lipedema é indicada?
A cirurgia de lipedema, realizada por meio de uma técnica específica de lipoaspiração, costuma ser indicada quando os sintomas persistem mesmo após o tratamento conservador bem conduzido, ou quando a doença compromete de forma significativa a qualidade de vida, a mobilidade e o bem-estar da paciente.
É importante entender que essa cirurgia tem como objetivo remover o tecido adiposo doente, aliviar a dor e melhorar o contorno corporal, mas ela não substitui os cuidados com o estilo de vida. Pelo contrário: os resultados tendem a ser mais consistentes e duradouros quando há continuidade no acompanhamento nutricional, na prática de exercícios e nos demais cuidados.
Em muitos casos, com o tratamento adequado, é possível conviver com menos dor e mais disposição. Faço questão de utilizar a palavra “muitas vezes” porque cada organismo responde de uma forma, e prometer resultados absolutos seria desonesto. Minha postura, ao longo de toda a trajetória de cada paciente, é alinhar expectativas reais, discutindo prós, contras e limitações de maneira transparente.
Como cirurgiã plástica, utilizo tecnologias voltadas para a retração da pele em determinados casos, sempre avaliando a necessidade individual. A flacidez é uma característica frequente no lipedema, e esses recursos podem contribuir para um resultado mais harmonioso. Tudo isso, no entanto, é definido após uma avaliação criteriosa, presencial e personalizada.
Por que a avaliação presencial faz tanta diferença?
O diagnóstico do lipedema é essencialmente clínico. Isso significa que ele depende de uma conversa detalhada sobre o seu histórico e de um exame físico cuidadoso. Embora a telemedicina seja uma ferramenta valiosa, especialmente para pacientes que vivem em outras cidades ou países e desejam uma primeira orientação, a avaliação presencial permite um nível de detalhamento que enriquece muito a definição do plano de tratamento.
Durante a consulta presencial, consigo palpar as regiões acometidas, avaliar a presença de dor, identificar os sinais característicos da doença, analisar a qualidade da pele e do tecido, além de compreender melhor as suas necessidades. Essa proximidade torna o planejamento mais preciso e seguro, tanto para o tratamento conservador quanto para uma eventual indicação cirúrgica.
Atendo pacientes de todo o Brasil e também do exterior. Para quem vem de longe, a logística costuma ser uma preocupação. Por isso, gosto de destacar que a unidade onde atuo está localizada em uma região de fácil acesso, próxima ao aeroporto de Congonhas, o que facilita o deslocamento de quem viaja para realizar a avaliação e, posteriormente, o acompanhamento.
Como funciona o atendimento na unidade Ibirapuera do Instituto Lipedema Brasil?
Sou diretora clínica da unidade Ibirapuera do Instituto Lipedema Brasil, inaugurada em 2024. Esse espaço foi pensado para ser um polo de excelência no cuidado de pacientes com lipedema, reunindo estrutura, tecnologia e, principalmente, uma equipe multidisciplinar dedicada.
Acredito que o tratamento de uma doença tão complexa não pode ser realizado de forma isolada. Por isso, o atendimento conta com o suporte de diferentes profissionais, incluindo nutricionistas e endocrinologistas, que trabalham de maneira integrada. Essa equipe multidisciplinar para tratamento de lipedema permite cuidar da paciente de forma global, e não apenas da queixa estética ou da dor de forma fragmentada.
Os planos de acompanhamento incluem etapas pré e pós-operatórias, fundamentais para preparar o organismo antes de qualquer procedimento e para garantir uma recuperação adequada depois dele. Esse cuidado contínuo é o que, na minha experiência, faz a diferença entre um resultado momentâneo e uma transformação que se sustenta ao longo do tempo.
O plano de saúde cobre a cirurgia de lipedema?
Essa é uma das dúvidas mais frequentes que recebo, e é importante esclarecê-la com honestidade. O lipedema foi reconhecido como doença pela Classificação Internacional de Doenças, na sua versão CID-11. No entanto, os convênios médicos pagam por procedimentos, e não simplesmente por diagnósticos.
No caso do lipedema, o procedimento cirúrgico é a lipoaspiração, que, até o momento, não consta no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão responsável por regulamentar os procedimentos de cobertura obrigatória pelos convênios. Por esse motivo, atualmente, os planos de saúde não cobrem essa cirurgia. Considero fundamental que cada paciente tenha essa informação de forma clara para se planejar com segurança.
Como a medicina do estilo de vida se conecta ao resultado?
Minha principal atuação é a cirurgia plástica, com formação pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Ao longo da minha trajetória, percebi que o sucesso de uma cirurgia não depende apenas do que acontece no centro cirúrgico. O resultado está profundamente ligado ao estilo de vida do paciente, antes e depois do procedimento.
É por isso que utilizo ferramentas da medicina do estilo de vida na minha prática clínica como cirurgiã plástica. Ajustar a alimentação, incentivar a movimentação regular, cuidar do sono e do equilíbrio emocional não são detalhes secundários: são pilares que potencializam a recuperação, melhoram a saúde geral e contribuem para um resultado estético mais satisfatório e duradouro.
Essa visão se aplica não apenas às pacientes com lipedema, mas também a quem busca lipoaspiração de braços e coxas, lipoescultura de alta performance, cirurgia reparadora da barriga e da mama, e contorno corporal pós-emagrecimento. Em todos esses casos, mantenho o mesmo compromisso com a sinceridade sobre o que é possível alcançar, sempre respeitando os limites do corpo de cada pessoa.
O que esperar das cirurgias reparadoras após grandes emagrecimentos?
Pacientes que passaram por processos intensos de perda de peso costumam apresentar excesso de pele e alterações no contorno corporal. As cirurgias reparadoras têm o objetivo de adequar esse contorno, devolvendo conforto, funcionalidade e harmonia.
Nessas situações, a transparência é ainda mais importante. Discuto detalhadamente o que cada procedimento pode oferecer, quais marcas (cicatrizes) são esperadas e como será o processo de recuperação. Meu compromisso é com expectativas reais, e não com promessas inatingíveis. Acredito que uma decisão bem informada é uma decisão segura, e é exatamente isso que busco proporcionar a cada paciente.
Por que confiar neste conteúdo?
Este artigo foi redigido com base em diretrizes e fontes científicas reconhecidas, conectadas à minha experiência clínica como cirurgiã plástica formada pela USP e pioneira no tratamento cirúrgico do lipedema no Brasil. Em 2015, fui uma das primeiras médicas a realizar a cirurgia da doença no país, ao lado do Dr. Fábio Kamamoto.
- Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP);
- Recomendações da American Society of Plastic Surgeons (ASPS) e da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS);
- Materiais de referência da Lipedema Foundation;
- Protocolos do Instituto Lipedema Brasil;
- Classificação Internacional de Doenças (CID-11) sobre o reconhecimento do lipedema.
Este conteúdo foi revisado por mim, Dra. Juliana Reis (CRM-SP 120293 | RQE 47596), garantindo que as informações sigam os protocolos médicos mais seguros e realistas da cirurgia plástica moderna.
Perguntas frequentes sobre o tratamento para lipedema
O lipedema tem cura?
O lipedema é uma doença crônica e, até o momento, não se fala em cura definitiva. Contudo, com o tratamento adequado, é possível controlar os sintomas, reduzir a dor e melhorar de forma significativa a qualidade de vida. O acompanhamento contínuo é o que sustenta os bons resultados.
Quem é o médico ideal para a cirurgia de lipedema?
O profissional indicado é o cirurgião plástico com experiência no tratamento de lipedema. A combinação entre o domínio das técnicas cirúrgicas e o conhecimento aprofundado da doença é o que garante segurança e bons desfechos.
Mulheres magras podem ter lipedema?
Sim. O lipedema não é uma condição exclusiva de mulheres com obesidade. Mulheres magras podem apresentar a doença e, muitas vezes, são bastante sintomáticas. O ganho de peso não é necessário para o diagnóstico.
A cirurgia substitui os cuidados com alimentação e exercícios?
Não. A cirurgia é uma ferramenta importante, mas os cuidados com o estilo de vida continuam sendo fundamentais antes e depois do procedimento. Eles ajudam a preservar e a potencializar os resultados ao longo do tempo.
É possível fazer a primeira avaliação a distância?
Sim, a telemedicina permite uma primeira orientação para pacientes de outras cidades e países. Ainda assim, a avaliação presencial é essencial para o exame físico detalhado e para o planejamento preciso do tratamento.
Vamos cuidar da sua saúde de forma completa?
Se você busca excelência técnica unida ao cuidado genuíno com a sua saúde, eu posso ajudar. Mais do que tratar uma queixa estética ou aliviar a dor, meu objetivo é compreender você por inteiro e construir, juntas, um plano realista e seguro. O lipedema exige paciência, conhecimento e uma equipe preparada, e é exatamente isso que ofereço na unidade Ibirapuera do Instituto Lipedema Brasil, em São Paulo, com fácil acesso para quem vem de todo o Brasil e do exterior.
Agende a sua avaliação presencial ou online. Vamos conversar com sinceridade sobre o seu caso, alinhar expectativas e traçar o melhor caminho para a sua qualidade de vida e o seu bem-estar.